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Editorial

Amazônia em perigo

26/08/2017 às 00:30
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A extinção por decreto de uma área protegida do tamanho do Estado de Espírito Santo, em plena floresta Amazônica, com vistas à exploração mineral é uma decisão tão polêmica do governo federal que tem encontrado críticas até mesmo entre os aliados mais subservientes. Ao tentar imprimir celeridade a suas decisões e construir uma imagem desenvolvimentista que ofusque sua baixíssima popularidade, o presidente Michel Temer tem pulado etapas fundamentais. No caso da extinção da Reserva Nacional de Cobre e Associados (Renca), foram ignorados estudos oficiais da Embrapa que identificaram os potenciais riscos que a mineração poderia trazer àquela região localizada entre os Estados de Pará e Amapá.

Compreende-se que o País precisa aproveitar suas próprias riquezas minerais e convertê-las em ativos para a nação. Mas como a atividade envolve impactos em um ecossistema tão delicado como a Amazônia, as decisões a respeito não podem acontecer na base de canetadas. É preciso debater o assunto, principalmente com aqueles diretamente afetados por essas decisões: os próprios amazônidas. A exploração sustentável é possível, mas ela não começa com a extinção sumária de áreas protegidas, mas com planejamento criterioso, estudos e debates para evitar danos irreparáveis à natureza, com consequências catastróficas para nós mesmos.

Sobre isso, o Estado do Pará é um exemplo emblemático, já que concentra a maior parte da área já devastada da Amazônia brasileira. Basta uma olhada em imagens atuais de satélite para verificar a ausência de cobertura verde, principalmente no leste do Estado, onde tem se concentrado a atividade madeireira, legal ou não, e a mineração. O risco é que o decreto de Temer faça explodir a atividade mineradora na Renca, junto com tudo de ruim que vem junto: fluxo de forasteiros, grilagem de terras, extração ilegal de madeira e garimpagem ilegal.

O recado que o governo federal tem dado ao mundo nesta gestão não é dos melhores. Temer foi alvo de protestos quando esteve na Noruega e, entre uma gafe e outra, recebeu a informação de que o país nórdico estava reduzindo doações para o Fundo Amazônia. O motivo: o desmatamento na Amazônia, em vez de diminuir, aumenta a cada ano.

É preciso reagir a isso.