Sábado, 06 de Junho de 2020
Editorial

Amazônia pede atenção da sociedade


show_Capturar_A4C6DB4E-51DE-4F2E-AFA1-C9502DA7D3D3.jpg
18/05/2020 às 08:42

As atenções centradas nas questões polêmicas sobre o enfrentamento à pandemia no Brasil abriram flancos ainda maiores nas ações de desmatamento da Amazônia. O último dado divulgado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), mostra aumento de 51,45% no desmatamento da região nos três primeiros meses deste ano na comparação com igual período de 2019.

O avanço de ataques à região ocorre em várias áreas e aumentam os atos de violência contra as populações tradicionais que nela habitam. Uma série de espécies amazônicas vem sendo destruída sem que a própria ciência tenha tido a oportunidade de catalogar para estudos. Cotidianamente, são destruídas porções da Amazônia sem que haja uma ação mais firme por parte da autoridade governamental.

Nos mais recentes dados do Inpe a projeções feitas são para uma área equivalente a 796,08 quilômetros quadrados desmatados. Em 2016, foram 643,83 quilômetros quadrados. A escalada da derrubada da floresta se revela elevada e com indícios de ser ampliada na medida em que o governo e grupos empresariais se aproximam na consolidação de propostas que ignoram o conjunto de importância da Amazônia, as especificidades da região e, principalmente os protocolos nacionais e internacionais firmados após anos de embates entre diferentes correntes, do peso da destruição de espécies amazônicas e o encurralamento das populações tradicionais, dos povos indígenas e quilombolas, as agressões sistemáticas e assassinatos.

Há um silêncio por parte do governo federal quanto as denúncias e alertas a respeito da situação amazônica. Ao mesmo tempo as mudanças que vêm sendo feitas em vários órgãos que têm a responsabilidade de fiscalizar e proteger a região demonstram um posicionamento governamental que, no geral, autoriza a manutenção das condutas de agressões à floresta e aos povos que nela vivem.

Os confrontos em torno da pandemia da Covid-19 atuam como mobilizadores da opinião pública no jogo ‘a favor ou contra’ reducionista e desviam a atenção da sociedade para outros aspectos relevantes da vida nacional. A perda de espaços, a pauperização crescente das populações amazônicas, tratadas pelo olhar de uma determinada opção economista, facilitam o apoio ao discurso de entrega dos recursos da região e da terra a projetos cujos resultados se revelam nocivos e prejudiciais às populações da Amazônia, mas também ao governo do País que promove a expansão do capital especulativo, lucros a pequenos grupos e não altera a condição de vida dessas populações para uma condição digna e com respeito as suas culturas.
        
 


Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.