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Editorial

Amigos do poder têm custo alto

19/09/2017 às 21:52
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O discurso da crise econômica, apresentado e repetido todos os dias nos últimos 17 meses pelo Governo de Michel Temer não se coaduna com outros números entre os quais os do quadro de comissionados. Em dois meses, maio e junho, foram retomados 663 Cargos de Diretorias e Assessoramento Superiores (DAS) e de Funções Comissionadas do Poder Executivo (FCPE) com salários que alcançam até R$ 15, 5 mil.

Os 449 cargos cortados em 2016, quando o vice-presidente Michel Temer assumiu a Presidência da República e se comprometeu a cortar gastos, já estão reativados. A eles foram somados outros produzindo crescimento nesse tipo de contratação funcional de 3,4%, em dois meses deste ano.  A ‘festa dos comissionados‘ representou para a União, no mês de junho, uma folha de pagamento no valor de R$ 65,6 milhões. São 20.321 servidores em DAS e 99.817 nas de confiança e gratificação.

No Amazonas, o Estado mantém 5.320 servidores comissionados que consomem 6,6% do total da folha de pagamento. São 8.634 temporários. A população de servidores públicos estaduais está estimada em 80.586 sendo 66.441 concursados.

A questão dos comissionados e temporários não é nova. Os números, lá e cá, mostram o quanto o País está longe de ter uma máquina administrativa mais enxuta e tecnicamente preparada para lidar com as diferentes demandas do governo. O que mais pesa nesse terreno são os acordos políticos que estabelecem uma forte rede de interesses de grupos alimentada por acordos e o dinheiro público. É o arranjo para pagar e manter apoios principalmente de aliados do parlamento.

Enquanto o número dos beneficiados por esse tipo de ação cresce, os governos prosseguem em definição de cortes de verbas a programas relevantes, congela salários e dificulta progressões de carreira. Há, escancaradamente, uma inversão inaceitável na condução administrativa da máquina pública, no direcionamento correto e necessário do dinheiro público. As benesses oferecidas têm custo alto para a maioria dos brasileiros e sabor amargo a milhares de pessoas hoje impedidas de comprar remédios de uso diário, de bancar o preço do transporte público e ter alimentação mais adequada porque os preços foram reajustados.

Diante do cenário brasileiro, o que se apresenta no espaço da política, é a decisão de manter o ritmo de oferta aos contemplados em DAS e FCPE e outras denominações que foram criadas para acolher e bancar amigos do poder.