Segunda-feira, 16 de Dezembro de 2019
Editorial

'Amizade' desigual


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03/12/2019 às 07:22

As relações diplomáticas e comerciais de qualquer país sério devem ser conduzidas de maneira profissional, técnica e com visão dilatada sobre a política internacional. Quando o presidente Jair Bolsonaro declarou, logo no início de seu governo, que faria política externa “sem viés ideológico”, a afirmação foi interpretada de várias maneiras, causando expectativa no tipo de relações que seriam construídas. A opção de alinhar-se aos Estados Unidos, o que incluiu uma aproximação pessoal entre os mandatários dos dois paises, causou avaliações divergentes, sobretudo porque o Brasil fez sinalizações positivas - como a liberação da necessidade de vistos para turistas norte-americanos - sem que houvesse qualquer contrapartida equivalente pelo lado de Donald Trump. Houve, sim, uma promessa de apoiar o Brasil em eventual ingresso no seleto grupo da OCDE, promessa essa jamais cumprida. 

O que o governo federal precisa compreender é que qualquer ato de “boa vontade” dos Estados Unidos em relação, não só ao Brasil, mas a todo e qualquer país, tem como fundo apenas e tão somente os próprios interesses norte-americanos. A postura de Trump não está errada; ele tem mesmo é que agir no interesse de seu país. Essa também deve ser a tônica do Brasil: o foco precisa ser sempre a busca de benefícios para os brasileiros. Trump não está disposto ao tipo de relação que o Brasil pretendia construir - do ganha-ganha, do bom para todos. Para Trump o que interesse é que ele ganhe. Se houver benefício  para terceiros, será por efeito colateral. 

Se alguém no Planalto tinha dúvidas quanto a isso, espera-se que não tenha mais. Não depois da óbvia demonstração protecionista de Trump ao anunciar a restauração das tarifas sobre as importações de aço e alumínio do Brasil e da Argentina, diante da desvalorização do real e do peso frente ao dólar. A medida, se levada a cabo, causará prejuízos bilionários aos exportadores brasileiros. Desde janeiro, o Brasil já acabou com visto para turistas americanos, renunciou ao tratamento diferenciado que  recebia na Organização Mundial de Comércio, aumentou a importação de etanol dos EUA e liberou ao governo americano o uso da base espacial de Alcântara. Trump retribui com taxas, justificando a medida com um absurdo argumento. Já é hora de parar de bater continência a bandeiras estrangeiras.


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