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Editorial

Anestesia e terror

12/07/2016 às 21:03 - Atualizado em 12/07/2016 às 22:33
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A filósofa Hanna Arendt,  após assistir o julgamento do carrasco nazista Adolf Eichman, levado a Israel por um comando da polícia secreta quando estava vivendo escondido na Argentina, disse que a barbárie na Alemanha de Hitler havia se tornado uma política de Estado e desta forma havia anestesiado burocratas como Eichman, que após um dia de trabalho mandando judeus para a morte nas câmeras de gás dos campos de concentração, era capaz de voltar pra casa com a certeza do dever cumprido e ainda pensar ser um bom pai de filho, um marido amoroso e atencioso para com os filhos.

Anestesiado pela barbárie, Eichman se via como um simples cumpridor de ordens e assim escusava-se da responsabilidade por milhões de mortes.  Hoje, infelizmente,  vivemos tempos semelhantes a de barbárie no que diz respeito à proteção que devemos dispensar para nossas crianças. Todo dia o noticiário mostra casos cada dia mais escabrosos tendo pais, mães, irmãos e tios como protagonistas anestesiados pela barbárie em que vivem e assim não cuidam, mas sim, violentam aqueles que deveriam proteger.

Nesta semana, dois casos chocaram a opinião pública em Manaus, sendo o primeiro na segunda- feira (11), repetindo um enredo sombrio de violência sexual associada à violência física. Nesta terça-feira (12) foi um caso inovador pelo cinismo e desfaçatez da mãe de uma menina deficiente física e visual aliada a tara sem limites de um namorado manipulador, tendo por resultado a mãe oferecendo a filha pra saciar a fome de um maníaco. Nestas horas, podemos comparar esses bandidos sexuais com o bandido nazista, que em momento algum conseguem ver nas suas vítimas um ser humano merecedor de respeito e proteção. A eles todos os rigores da lei brasileira serão pouco.

Louva-se nos dois casos a coragem de terceiros que foram capazes de perceber a exploração dos vulneráveis e denunciar às autoridades competentes os algozes. Em que pese os dramas, é alentador saber que pessoas de bem estão de olho nesses tipos de casos e dispostas a encarar o bandido sem temer as consequências.

Foto: Evandro Seixas/Arquivo AC