Segunda-feira, 25 de Maio de 2020
Editorial

Aposta mórbida


LYNXMPEG291UP_L_93BB7311-1CAC-4B3E-AD8C-411F0DE36A2D.jpg
30/03/2020 às 07:23

A recessão econômica em todo o mundo produzida pela COVID-19 será a realidade nos próximos meses. E também é, neste momento, real a oportunidade de reorganizar a trajetória das finanças mundiais, criar meios legais e justos para que segmentos até agora donos de lucros estupendos e de fortunas impressionantes participem na partilha a ser feito. Banqueiros, trilionários, bilionários e milionários do mundo e do Brasil devem ser convocados a entrar nas ações de redução dos danos econômicos.

No Brasil, as intenções colocadas no papel pelas equipes econômicas do governo federal e de governos estaduais repetem, em geral, erros históricos de retirar direitos da camada populacional que está na base da pirâmide e daquela a um nível acima para poupar os que têm mais condições de repartir o bolo. Esta formulação não está sendo feita, sequer projetada, o que se se apresenta como resposta é a redução de salários de servidores públicos em todos os níveis para bancar o déficit das contas públicas enquanto, em vários estados, funcionários ainda estão com salários atrasados e recebem, em parcelas, o 13º salário do ano de 2019.

O Governo Federal adotou a postura de encurralar governadores responsabilizando-os diretamente pelo desemprego e pela recessão econômica.  A decisão, já incorporada nas peças publicitárias das manifestações pró-presidente da República, mostra a distância entre a União e os Estados e os Municípios e descaracteriza a ideia de República Federativa na qual está baseado o elo indissolúvel dos entes união, estados, municípios. Não se trata de gostar ou não gostar, é a Constituição do País que assim determina, na prática atual o princípio constitucional é atacado por quem deveria defende-lo e segui-lo.

A outra disputa apresentada, diariamente, pela mídia brasileira, coloca o presidente da República de um lado e governadores, autoridades sanitárias, pesquisadores e as orientações de organismos como a Organização Mundial da Saúde (OMS), no outro. Por que essa disputa de posição ocorre? O que está em jogo? Quais setores da sociedade brasileira se beneficiam com esse cenário?  No geral, não é a população, está será a parte mais prejudicada e, no específico, os ganhos sobre a pandemia envolvem uma espécie de “crença” mórbida expressada, a vida de alguns milhares de pessoas não importam porque terão que morrer mesmo. Que prevaleça o pedido feito pelas autoridades sanitárias e ecoado por tantas vozes no mundo: “Fique em casa”.
        
 
 


Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.