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Editorial

Áreas de conservação, é preciso debater

05/03/2017 às 19:43
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Na quarta-feira, 8, está marcado, no Congresso Nacional, um debate  importante para o futuro do Amazonas e da Amazônia. Trata-se do projeto de redução das áreas de conservação do Estado. Matéria escrita pelo jornalista Antonio Paulo, corresponde de A CRÍTICA em Brasília, apresenta panorama rico sobre as pressões e tensões que envolvem esse tema.

A maioria dos parlamentares, prefeitos e segmentos empresarias defende a revisão de tamanhos das reservas e evoca a necessidade de desenvolvimento municipal que estaria apeado por conta desses espaços de conservação. É pouca representação. A questão exige mobilizar amplamente a sociedade para ser esclarecida a respeito do que está sendo proposto e debata sobre a manutenção ou revisão das reservas de conservação.

O histórico do Amazonas e da Amazônia nesse setor tem sido de destruição dos recursos naturais sob a bandeira da exigência de desenvolver e oferecer melhorias na qualidade de vida das populações da região. A maioria dos projetos propostos em diferentes regimes governamentais não correspondeu a esse ideal. Ao contrário, aumentou a pobreza, precarizou a vida, destruiu parte de culturas, abrigou projetos cujos compromissos são com o mercado internacional e abriu as portas para escancarar a violência generalizada. O refrão ora acionado por grupos com poder, maioria dos parlamentares, do executivo e de setores produtivos, não inova e mais parece ter pressa em colocar no mercado espaços que poderão gerar lucros a investidores internacionais e nacionais que historicamente não se comprometeram com garantias aos povos do Amazonas e da Amazônia.

No contexto atual do País projetos dessa natureza são apresentados e votados em ritmo veloz e empurrados sobre a população. O Amazonas entra no rol por meio do parlamento para deixar uma contribuição que se não for resultado de debates democráticos poderá constituir-se em rolo compressor para uma nova fase de entrega do patrimônio estadual aos que têm muito recurso econômico, influência política e estão vinculados a uma prática de saqueamento.

Um projeto dessa ordem não podem ser definido a toque de caixa ou tem uma posição de voz única. Outras vozes precisam e devem ser ouvidas, procurados e valorizadas com a mesma intensidade dos que querem rever a legislação das reservas e alterar o que existe. Ouvir já seria um indicador importante para tratar do tema.