Segunda-feira, 14 de Junho de 2021
Editorial

Armar guarda municipal deve ser tema bem analisado


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10/06/2021 às 07:48

A proposta de armar a guarda municipal não pode ser tratada sob o selo “urgente urgentíssimo” como ora ocorre. Não irá resolver o problema que se apresenta e justifica em alguma medida o corre-corre para ver a formulação aprovada na Câmara Municipal de Manaus (CMM). É um assunto muito sério com uma série de implicações que exige ser estudado de forma responsável e transparente.

Pensar numa guarda municipal armada na perspectiva de auxiliar as polícias militar e civil e, por consequência, gerar maior sensação de segurança às populações envolve trabalho longo e, no balanço geral das adoções feitas desse modelo, os resultados não são satisfatórios. É evidente que uma possível consulta aos moradores de Manaus sobre o armamento de guardas municiais terá como resposta o sim diante de seguidas violações dos direitos de ir e vir dos cidadãos. Ou seja, encurralados, com medo dos ataques e dos assaltos, moradores de Manaus poderiam interpretar como positiva a mudança que está sendo proposta no âmbito da CMM e, apressadamente, colocada em prática no âmbito da prefeitura.

Vereadores, da base apoio e da oposição, serão todos eles corresponsáveis pela decisão tomada e pelo ambiente a ser criado na cidade de Manaus que se coloca como preocupante. Afinal, armar a guarda municipal não atinge o âmago do problema – a falta de segurança pública – e amplia a quantidade de policiais e guardas armados, muitos dos quais sem a devida condição psíquica para portar uma arma.

A política de segurança pública, como demonstram centenas de estudos científicos e de experiências utilizadas em cidades em diferentes regiões do mundo, não se define pela quantidade de policiais armados e de outros segmentos de apoio igualmente armados. Necessita trabalhar conjuntamente na estrutura governamental, envolver as diferentes secretarias e departamentos, estabelecer elos com as comunidades e com outras instituições, reestruturar as polícias tanto na permanente da qualificação dos recursos humanos quanto na modernização de equipamentos, no melhor aproveitamento dos aparatos tecnológicos. Aliás, é no estratégico e bom uso da tecnologia que governos de várias cidades estão conseguindo obter respostas satisfatórias no enfrentamento da violência urbana e dos ataques de várias ordens, inclusive os de grupos terroristas, nesses espaços. Lamentavelmente, a utilização da tecnologia tem sido ignorada no Amazonas e em Manaus, a cidade-estado com alto índice de violência.


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