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Editorial

Armar ou desarmar

14/12/2017 às 21:41
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O fim do estatuto do desarmamento, facilidades para aquisição do porte de armas para qualquer cidadão e a “carta branca” para que policiais militares possam matar estão entre as principais propostas do presidenciável Jair Bolsonaro, que visitou Manaus nesta quinta-feira. As propostas arrancam aplausos efusivos de seus seguidores mas também suscitam um debate que precisa ser muito mais profundo. Os defensores das propostas seguem o argumento de que, com a escalada da insegurança, as pessoas precisam ter o direito de se defender usando poder de fogo igual ao de seus agressores.

A Ordem dos Advogados do Brasil - Seccional Amazonas (OAB/AM) não concorda. A entidade emitiu nota lamentando as declarações do pré-candidato. Para a instituição, ao defender o livre acesso às armas, o deputado prega um espírito de beligerância e estímulo à violência. Especialistas sustentam que a proliferação de armas na sociedade poderia ter um efeito contrário do esperado, acentuando ainda mais a violência, uma vez que qualquer discussão de trânsito ou briga de bar poderia terminar em tiroteio e tragédia.

Impossível não lembrar do recente caso envolvendo um delegado armado e um advogado no Porão do Alemão, quando um desentendimento terminou na morte de uma pessoa.

Quanto à “carta branca” para policiais militares, a fala de Bolsonaro parece ter tido apenas o objetivo de agradar a plateia. Afinal, os PMs não andam armados à toa. Eles recebem treinamento e já estão autorizados a atirar e matar se for necessário. Não há necessidade de nenhuma legislação adicional para lhes garantir o direito de fazer uso de arma de fogo. Propostas visando melhor aparelhamento, qualificação de ponta e remuneração proporcional à importância do serviço que prestam seriam mais úteis e oportunas.

Essa parte do discurso do presidenciável deve ser vista como mera verborragia de campanha. Nas viagens que tem feito pelo Brasil em pré-campanha pela Presidência da República, Bolsonaro tem se esforçado em adotar uma postura menos radical para consolidar seu público natural de extrema direita e conseguir apoio também entre os não tão extremistas. Se vai conseguir ou não, saberemos nos próximos meses.