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Editorial

Armas de fogo em casa

12/03/2018 às 21:19
Show crian a

A morte de mais uma pessoa provocada por disparo acidental mostra a dificuldade e o risco que envolve a manutenção de uma arma dentro de casa. Desta vez, a vítima fatal é uma criança de 9 anos. O roteiro é semelhante aos anteriores, encontrar a arma e, no caso de crianças e adolescentes, sentir-se livre para brincar com ela; ou ainda no caso de brigas onde uma das pessoas envolvidas recorre ao uso do dispositivo.

Há, nesse momento, uma campanha mundial que incentiva o armamento das pessoas em diferentes lugares. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump chegou a propor que professores usassem armas em sala de aula. Na concepção dele, esse é um dos caminhos para enfrentar e conter a onda de ataques e mortes em escolar estadunidenses. Rechaçado em seu país por estudantes jovens e adolescentes, professores e grupos familiares, Trump representa uma parcela da sociedade mundial que entende o armamento pessoal e familiar como remédio às violências. Isso significa promover o direito de matar em série. No Brasil, parlamentares têm feito propostas semelhantes.

Armas de fogo em casa, legítima ou ilegitimamente, produz efeito de poder e de maior sensação de segurança com reproduções contínuas de conversas e gestos que costumam ser observadas e absorvidas por crianças e adolescentes. Os lugares de guarda dessas armas são muito parecidos e, supostamente, mantidos sobre sigilo. O que se verifica periodicamente é que para as crianças e adolescentes não há esconderijo e, há, em situações mais graves, adultos que deixam essas armas expostas e facilmente acessadas.

A dor da família que agora perde o filho de 9 anos, o desespero do pai com o acidente constituem uma face do sofrimento profundo que envolve a questão ter armas de fogo em casa. E deveria servir para a tomada de providências imediatas por parte dos gestores públicos e da sociedade para que outras condutas sejam adotadas e que o cuidado seja atitude permanente.  A panaceia com que o armamento pessoal está sendo proposto no País como resposta a violência, a não observância das normas sobre acesso e manejo de armas  por civis e militares formam um quadro ameaçador que precisa ser  visto e debatido com responsabilidade.