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Editorial

As autoridades e a falta de água

06/11/2017 às 22:22
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Moradores e proprietários de estabelecimentos comerciais das zonas Oeste e Centro-Sul são as vítimas de racionamento de água da temporada. A dificuldade para ter água canalizada e em distribuição dentro de um sistema regular aumenta sem que a empresa responsável pelo serviço apresente informações e datas para resolver o problema.

O racionamento ou a falta de água tem sido situação recorrente em Manaus há anos. Até agora, o serviço não conseguiu funcionar com padrão mínimo de eficiência para a cidade cuja população é fatiada periodicamente entre os que terão água e os que ficarão sem o produto por dias, semana e até meses. A razão dessa conduta por parte da concessionária precisa ser explicitada e questionada devidamente não pelos moradores atingidos por ela que o fazem com recorrência na mídia e nas redes sociais. É necessário medidas por parte do governo, do judiciário e do legislativo. Esses poderes deveriam ter maior atenção para com aquilo que a população reclama, protesta e reivindica.

No caso da água, a recorrência da falta ou de racionamento parece mais vinculada a um entendimento de estado de normalidade, como se os consumidores de tanto sofrerem com a situação fossem naturalizando-a para entender que é “assim mesmo”. Ao tempo em que a fatura mensal do consumo e de taxas acrescidas para manter a qualidade do serviço chega com valores que não correspondem a realidade de quem necessita da água em condições de consumo humano.

Nas zonas Oeste e Centro-Sul,os relatos de moradoresé de racionamento obrigando as famílias a estabelecerem estratégias para assegurarem, nos horários em que a água cai da torneira, alguma reserva. Nos sábados e domingos não há água, exatamente nos dias em que a maioria das famílias mais a utiliza para as atividades de limpeza de imóveis, lavagem de roupa e banhos das crianças que não estão em escola. A proposta de privatização do sistema veio com o discurso de melhoria do abastecimento, ampliação do número de usuários legalizados e qualidade da água ofertada. Os valores do acesso à água canalizada vêm sendo reajustados em porcentuais altos enquanto uma grande parte da população faz malabarismo para pagar e, com frequência, não dispor da água.