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Editorial

As balas e a violência

25/09/2017 às 20:56
Show pol cia civil 123

Estudos realizados pelo Instituto ‘Sou da Paz’, no Rio de Janeiro, mostram que a violência na capital carioca recrudesceu. Os dados estudados referem-se  a quantidade de balas apreendidas no período de janeiro de 2014 a  junho de 2017: foram 548.777 munições que representam a movimentação de 430 balas por dia. Outro aspecto que o levantamento identificou é o fato de 64% do total dessas balas serem de calibres de uso restrito. O instituto levanta a hipótese de gradativa perda da eficiência da atuação policial nos últimos três anos e meio.

O mapa desenhado pelo instituto ‘Sou da Paz’ a partir dos dados fornecidos pela Secretaria de Segurança Pública possibilita formular outras leituras valiosas quando o tema é a ausência de segurança pública e as suas consequências. Um deles é o avanço voraz do armamento de setores da população o que expõe a facilidade de adquirir e transitar com armas de fogo no País.

O drama da população carioca ora exposto não é exclusivo. Torna-se a cada dia uma realidade comum para a maioria das cidades brasileiras. O que está sendo chamado de “guerra civil” situa a falência do Estado como operador dos mecanismos de direito e dever dentro do que preconiza a Constituição Federal. Apenas pela quantidade de balas apreendidas é possível estabelecer o poder e o alcance dos que detêm o controle das armas no Rio de Janeiro e as ramificações que fazem para outras unidades da federação.

Que mapeamento é possível ser feito no Amazonas? Neste Estado a violência explode e cidades pequenas às margens dos rios estão sendo transformadas em territórios controlados por grupos narcotraficantes. Na região metropolitana de Manaus, os assassinatos aumentam e zonas da cidade que antes tinham alguns parâmetros de controle e de intervenção na formação social, abandonadas pelos governos, voltam a ser comandadas por organizações criminosas. A matança de jovens e adolescentes expõe a outra face da tragédia diariamente da cidade.

O armamento público e a facilitação ao acesso a armas e munições ocorrem no momento em que parlamentares defendem afrouxamento da lei e uma população armada. É um posicionamento perigoso e oportunista envolvendo vários interesses que não abrigam aquilo que é verdadeiramente fundamental, a segurança das pessoas como direito efetivado. As balas são a outra dimensão da violência implantada no País.