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Editorial

As batalhas nas escolas

04/11/2016 às 20:41
Show enem23

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) com mais de 8 milhões de inscritos é por si só notícia. O processo envolve múltiplos aspectos e afeta centenas de milhares de famílias, a transparência e lisura no desenvolvimento das provas. Este ano há um elemento novo, a ocupação de escolas por estudantes secundaristas. Um movimento que começou bem antes e diretamente vinculado ao método utilizado pelo Governo Federal para implantar reformas no ensino médio, a começar pela medida provisória.

Há por parte de setores do Governo e dos poderes Judiciário e Legislativo ações coordenadas ou em sintonia para criminalizar o movimento dos estudantes, ganhar simpatia da opinião pública e desviar o debate que precisa ser feito. A falta de disposição dos interlocutores governamentais está escancarada enquanto uma parcela do judiciário a reforça com decisões que devem ser avaliadas em amplo sentido.

Nesse cenário, o Enem passou a ser um dos instrumentos de medição de forças. Afinal, milhares de pessoas, a maioria adolescentes e jovens, aguarda a realização do exame. Esses candidatos passaram também a ser manejados em certa medida para condenar as ocupações, levar seus pais ou responsáveis a condená-la e, no conjunto, encurralar os estudantes que estão nas escolas na defesa de um modelo participativo da Educação brasileira. Como estão os pais e responsáveis desses jovens? Todos os dias setores da mídia nacional apresentam farto material que se aproxima de um movimento de desqualificação desses estudantes.

O debate necessário e pelo qual os ocupantes das escolas e, agora, das universidades, não está sendo feito. De forma violenta, setores do governo e dos demais poderes tentam silenciar sobre a exigência da discussão, correm na formulação de peças publicitárias ao mesmo tempo em que a polícia militar é acionada para agir, prender professores e estudantes. O confronto posto expõe um dilema maior que se não for visto na dimensão exigida poderá se configurar em tragédia.

Os representantes dos três poderes precisam perceber que se mantiverem a mesma lógica de atuação até agora demonstrada serão eles os principais responsáveis por situações mais graves que possam vir a acontecer. Impor uma reforma na educação por medida provisória e sem a discussão devida é parte de uma história do passado que o Brasil quer superar. Infelizmente, as lições não foram aprendidas pelos que representam o Executivo, o Judiciário e o Legislativo.