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Editorial

As campanhas e a periferia

18/08/2016 às 21:43
Show periferia

Candidatos a prefeito de Manaus redescobrem a periferia da cidade. O movimento é de repetição em tempo de campanhas eleitorais. Os discursos e anúncios permanecem semelhantes enquanto o pós-campanha acumula déficit de atenção e empurra a política e os políticos para o mesmo buraco do descrédito. Sem estabelecer diferenças importantes.  

A temporada é de visitas e de encontros, de preparação das performances para convencer eleitores. Esse deveria ser um momento animado e positivo. Afinal, trata-se de uma das expressões da democracia onde candidatos e eleitores marcam encontros para renovar, retirar ou inovar em mandatos. O voto é produto cobiçado. A campanha como mercadoria criou um mercado indigesto e perigoso ao mesmo tempo poderoso onde as peças são montadas a partir dos valores financeiros e do tempo que cada partido irá dispor no horário eleitoral gratuito, por sua vez já determinado pela representação parlamentar que possui.

A comercialização feita em torno do voto e do eleitor é tamanha que fazer campanha sem grandes soma de dinheiro entrou no campo da impossibilidade. Eleitores devem pensar muito sobre esse tema e compreender o efeito devastador da premissa sobre a política, o parlamento e a sociedade que se faz representar por meio dos mandatos. É nessa compreensão pesadamente mercadológica que está um dos braços e das pernas do sistema de corrupção. Enquanto as mudanças não acontecerem o fazer política seguirá nessa direção. Os que tentam agir fora desse campo tendem a ser engolidos, tratados como ingênuos e desqualificados. O eleitor é visto como cliente para o qual, de acordo com o perfil, uma tabela de preço é oferecida. A democracia sofre o efeito dessa prática e é apequenada.

Inúmeros interesses estão em disputa pelos candidatos e partidos em meio a conflitos e concordâncias. Uma parcela dos candidatos sabe o porquê de investir em campanha e porque quer a prefeitura da capital. É fundamental que os eleitores avaliem as candidaturas, os compromissos feitos e o nível de responsabilidade que têm com Manaus. As eleições municipais são processos únicos para reinventar as relações e repensar a cidade que se tem e que se deseja ter. As periferias econômicas e sociais não podem continuar a ser vistas e lembradas pelos políticos somente em época de campanha como reserva de votos.