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Editorial

As conexões de Romero Jucá

23/05/2016 às 21:34
Show juc

O presidente interino da República, Michel Temer, tem mais um obstáculo para levar adiante a agenda do governo provisório e esse está em família, atinge o comando nacional do PMDB e impacta de forma muito negativa o primeiro escalão da equipe presidencial. O teor das conversas telefônicas reveladas pelo jornal “Folha de S.Paulo”, como sendo do recém empossado ministro do Planejamento, senador licenciado Romero Jucá, e o ex-presidente da Transpetro, subsidiária da Petobras, Sérgio Machado.

De acordo com o áudio da conversa, Jucá e Machado trocam informações sobre as estratégias para assegurar o impeachment da presidenta Dilma e, confirmado, estagnar a Operação Lava Jato. O conteúdo revelado pelo grampo expõe o temor dos dois na continuidade das investigações, também sugere que a manutenção da presidenta Dilma no cargo não possibilitaria barrar a operação, mas com o vice, Michel Temer havia um grande acordo em nome da estabilidade nacional.

O ministro Romero Jucá (PMDB-RR) já acumula, como senador, uma série de denúncias. O teor da conversa que teria tido com Machado revela, num primeiro momento, as várias conexões por ele mantida na articulação pró-impeachment da presidenta Dilma, e as motivações para obstruir a continuidade da Lava Jato. Mais ainda, as conversas sinalizam para o envolvimento de representantes de outros poderes e instâncias que, manejados a partir da ação de líderes do PMDB e de setores do PSDB, completariam o pacto para oficializar o impedimento de Dilma.

Há duas semanas no comando do Governo Federal, Michel Temer escolheu uma equipe cuja metade dela enfrenta processos e denúncias a cada dia mais volumosas. Os acertos de Temer e do PMDB para garantir governabilidade revelam a base estragada em que foram fechados e um aparente descaso tanto na escolha dos nomes quanto na leitura que a opinião pública teria. É como se a crise política brasileira fosse resolvida num simples ato, o de impedir a presidenta Dilma.

Sabem agora que não é. Um acordo de governabilidade feito em forma deformada deixa evidente que na são os interesses da sociedade brasileira que estão em primeiro plano e sim a preservação de um grupo de políticos e de suas interligações para prosseguir em condutas inadequadas. Nesse campo, o ministro Jucá oferece pistas fortes.