Sexta-feira, 03 de Dezembro de 2021
Editorial

As crianças, os professores e o Brasil


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16/10/2021 às 07:45

Os dias dos professores e da criança, 12 e 15 de outubro, respectivamente, receberam uma boa dose de atenção por parte de organizações e da programação da mídia. O ser criança e ser professor têm vínculos muito diretos e estão na primeira fila da prioridade de uma nação.

Qualquer projeto de desenvolvimento que não considere, com o devido valor, a infância e a educação está fadado ao fracasso a longo prazo. No Brasil, criança e professor vivem um dos mais delicados momentos na história do país redemocratizado. No universo de 20 milhões de pessoas que passam fome estão crianças, parcela delas catando nos cestos de lixo aquilo que foi jogado fora para servir de alimento, outra parte sequer consegue andar em busca do alimento; nos semáforos, estão meninos e meninas pedindo esmolas numa sequência de violências diárias.

Professores são desqualificados por autoridades governamentais e submetidos a uma política que os fragiliza economicamente e do ponto de vista humano. Vivem a pandemia sem qualquer tipo de apoio e, em trabalho remoto, tiveram que se reinventar, adequar espaço dentro de casa e adquirir equipamentos para manter suas atividades. O efeito da pandemia na vida da categoria ainda não é tratado como problema de saúde pública e, muitos desses profissionais, estão doentes, assim trabalham, com as sequelas do trauma vivido. 

A privatização das atividades e dos espaços da educação pública avança aceleradamente no Brasil, amplia a falta de acesso, aprofunda a desigualdade e compromete a vida nacional profundamente. A instabilidade do governo e o contingenciamento de verbas somam-se a um rol de problemas que atingem a educação e toda a comunidade nela envolvida. Direitos conquistados são ignorados e outros estão sendo desfeitos para prevalecer a educação como negócio menor, rentável a pequenos grupos que não tem, em geral, nenhum interesse na educação a não ser a obtenção de lucro.

Professores e crianças, quando tratados com respeito, são a face de um país com indicadores mais justos e humanizados, quando tratados como o são agora denunciam o caminho desastroso que o governo decidiu seguir. Nesses dois universos não há existe resposta a toque de caixa, no apertar da tecla, é preciso perceber e investir.

 


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