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Editorial

As decisões de Temer

12/05/2016 às 00:17
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A prévia do programa de governo do vice-presidente Michel Temer (PMDB-SP) provoca uma outra onda de instabilidade no Brasil em meio ao processo de impedimento da presidenta Dilma Rousseff. Alguns setores, empresariais e líderes de partidos políticos de apoio ao vice, vem trabalhando para assegurar iniciativas que consideram importantes e necessárias para o País encontrar caminhos que superem a estagnação produzida pela crise política. Uma parcela bem maior de brasileiros teme a confirmação de retrocessos nas conquistas sociais.

O que foi apresentado e vem sendo discutido pelo programa de um eventual governo Temer reforça o sentimento dessa parcela de brasileiros quanto a perda de direitos. As falas do vice-presidente e dos que hoje atuam como interlocutores dele apontam para abertura maior ao setor privado e a consequente redução da ação do Estado. Em um País com enormes desigualdades e longe de equilibrar as oportunidades em setores  estratégicos para pavimentar um outro nível de desenvolvimento, esses primeiros indicadores de ação sinalizam para reforçar os níveis de intercorrência.

O vice-presidente da República, numa possível condução do governo, seja temporariamente  ou até as eleições de 2018, tem o dever de assegurar de forma efetiva essas conquistas. Elas têm enorme alcance principalmente nas regiões economicamente mais pobres do Brasil da qual a Amazônia faz parte e retirá-las ou encolhe-las irá provocar prejuízos profundos e trazer velhas cenas da deploração humana. Temer enfrenta e enfrentará dificuldades para emplacar a sua gestão. Tem demonstrado, nesse espaço de tempo em que a crise política  foi agravada, uma fragilidade no discurso, tropeçando nas suas próprias engrenagens. Entre as evidências de suas conversações o que mais foi evidenciado é o compromisso dele para com o mercado e, como mostra a história, quando somente esse aspecto é valorizado as convulsões se repetem e podem gerar situações mas drásticas.

O caminho pelo qual transitará o vice-presidente é estreito, embora com apoios pesados, como o da Fiesp, da CNI, e de outras organizações que também representam fatias expressivas do PIB nacional. No Congresso Nacional, Temer dispõe por enquanto do seu partido, PMDB, e do PSDB, com as legendas menores até então aliadas. Mas, como mostra a própria conduta dele, os aliados também costumam ser efêmeros e se tornarem inimigos ferozes. Como vice-presidente Temer tem  a obrigação de agir com sensatez.