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Editorial

As dores pós-Atmos

20/05/2017 às 15:05 - Atualizado em 20/05/2017 às 15:12
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A mais recente fase da operação Lava Jato, a Patmos, faz referência a ilha grega na qual o apóstolo João recebe as revelações para escrever o mais brilhante e aterrador livro da Bíblia, o Apocalipse.

Em que pese todos sabermos que o fim dos tempos existe hoje como potencia e em um futuro qualquer como realidade, pelo menos para os que creem, algo ainda está fora da caixa da pandora, no caso uma pergunta singela: E agora?

Tomando o livro sagrado como orientador, a resposta também é simples: É hora de dor, uma dor lancinante que atingirá a todos, os puros e os pecadores.

Pois parece cada dia mais próximo o momento em que todos pagaremos pelos pecados de algum, sobretudo o povo mais pobre, que vê a cada nova revelação da Patmos um rosário de milhões e milhões escorrendo pelo ralo da corrupção. Veja o caso de um único senador, o nosso Eduardo Braga (PMDB), que teria recebido R$ 6 milhões da empresa JBS, conforme delação do executivo Ricardo Saud. Em delações da empreiteira Odebrecht o senador pelo Amazonas teria recebido outros tantos milhões por obras no Estado à época em que era governador.

Em nível nacional os valores também são de grande monta. O próprio presidente da República, Michel Temer, teria recebido R$ 15 milhões em caixa 2, quantia equivalente a dada ao Ministro das Cidades, Gilberto Kassab (PSD). O senador e ex-chanceler José Serra (PSDB) teria ficado com R$ 60 milhões, o ex-presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG) pediu R$ 2 milhões enquanto a irmã dele, Andréia Neves, pediu R$ 40 milhões. Para a dupla petista Lula e Dilma, a JBS reservou R$ 150 milhões em contas no exterior.

Somados todos estes valores e se bem aplicados, certamente todos os problemas nacionais estariam agora resolvidos, ou pelo menos bem encaminhados, o que está longe de acontecer.

Mas voltando ao livro das revelações, sabe-mos que na sequência da passagem dos quatro cavaleiros do Apocalipse por estas bandas, um novo mundo surgirá, um mundo para os justos e bons de espíritos, o que deixa para nós a esperança de dias melhores chegando por estas bandas, livres das corrupção e da desfaçatez com que nossos homens públicos tratam as coisas públicas. Resta-nos, sempre, a esperança de que o País está sendo realmente lavado de seus males.