Segunda-feira, 22 de Julho de 2019
Editorial

As execuções sem respostas


agora_odete_A32906DA-02C6-4534-ACFD-E97486AC78AF.JPG
19/06/2019 às 07:30

As mortes de comunitários, com espaço de liderança no Estado do Amazonas, devem merecer atenção maior das autoridades governamentais. O que se verifica até agora é uma sucessão de assassinatos, escassez de informações e o agravamento da banalização da vida. Na segunda-feira, Odete Cristina Santos, 39, foi executada por três homens que até a noite de ontem não tinham sido identificados.

É mais uma das vítimas desse tipo de ação na cidade de Manaus. A sociedade espera que a falta de resposta não permaneça ou se prolongue, pois, são condutas que incentivam essa forma de resolver conflitos e de fazer justiça. Ou seja, estabelece-se e ganha enraizamento a autojustiça que tem sido fortalecida pela lógica de facilitar o acesso público às armas.

A insegurança ganha espaço e alimenta o desejo pelo porte de arma como se a partir de agora garantir a segurança fosse de responsabilidade de cada um e estaria na dependência do poder aquisitivo e político o grau de segurança oferecido. A função do Estado gradativamente desaparecia nessa área e até mesmo a mediação jurídica sairia de cena para que as pessoas envolvidas decidissem sobre o direito de viver ou não. Numa situação dessa ordem, o Estado de Direito torna-se frágil ou desaparece fazendo cair por terra os limites de convivência democrática em sociedade.

A ideia de que grupos de narcotraficantes a cada dia assumem o controle de funcionamento da capital e de várias cidades do Amazonas é tratada em conversas de comunitários amedrontados pela violência. A condição ajuda a aumentar o temor e o entendimento de que cada um deve se virar por conta própria. O governo, por meio das autoridades responsáveis por essa, está sendo cobrado a tomar providências, estabelecer procedimentos que enfrentem a realidade local e estadual e promova a segurança, a credibilidade nas ações de proteção da sociedade e no combate aos esquemas dos grupos narcotraficantes, dos matadores.

O trabalho exige determinação e percepção governamental de que são várias as áreas que deverão atuar em conjunto para criar condições reais de enfrentamento a esses esquemas.  Não é mais um assunto de uma secretaria ou da Polícia Militar, é de um conjunto de órgãos dos três poderes com estratégias que superem as contaminações feitas em suas próprias estruturas.


Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.