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Editorial

As fragilidades de Temer

16/06/2016 às 20:53
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As dificuldades para o presidente interino governar tendem a aumentar em ritmo mais veloz. Com popularidade baixa e notória escassez de habilidade para agir em um cenário de grandes conflitos, Michel Temer (PMDB-SP)  se vê às voltas com denúncias que o atingem diretamente e atingem o suporte político do governo por ele montado. A primeira manifestação pública oficial do presidente interino para contestar informação que o envolve em atos de corrupção é frágil e, em princípio, não convence a opinião pública do contrário.

A delação do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado à Operação Lava Jato coloca Temer entre um grupo de peemedebistas e de outras legendas envolvidos com atividades ilegais. Entre possíveis ilações e exageros o que Machado mostra em sua fala é o esquema de propinagem em vigor há muitas décadas ao ponto de ser tratado como algo "normal" por aqueles que dele se utilizam no âmbito do Governo Federal e do Congresso Nacional e dos seus braços nos Estados. E esse esquema não tem sido questionado, ao contrário, parlamentares admitem que assim funcionava o processo de repartição de verbas públicas criminosamente obtidas.         

O pronunciamento de Michel Temer diante da gravidade do teor das informações do delator pareceu mais um cumprimento burocrático de prestar explicações à nação do que posicionar-se numa defesa que mostrasse a distância que o separa desse esquema corrupto. Faltaram elementos para corroborar com a tese do presidente interino.     

No esforço de desvincular dele a denúncia de Machado, Temer acionou os atos por ele praticados na condição de presidente interino para  "tirar o País da crise profunda em que mergulhou" e que tem hoje "uma base parlamentar que revela que o País está em harmonia ao governarem Legislativo e Executivo (...)". Nem uma coisa nem outra. Medidas anunciadas pelo governo vêm sendo atropeladas por membros do próprio governo e no Congresso Nacional, o que levou a uma primeira rusga com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. A crise profunda do Brasil não está necessariamente na economia, é resultado da crise ética aguda na política. Por meio dela, as questões avançam, recuam ou são paralisadas. E, desta, o presidente interino participa completamente.

Quanto ao Congresso Nacional, com o perfil que tem e, a cada dia, as descobertas feitas, a harmonia é recurso perigoso e pede muita atenção aos órgãos de controle. Em quais ações há, de fato, harmonia entre o Legislativo e o Executivo?