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Editorial

As lições das brincadeiras de junho

25/06/2016 às 23:19
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As festas em torno dos santos juninos são uma das potências brasileiras. Tradicionais em conversa com a modernidade, as brincadeiras mobilizam milhares de pessoas e fazem a economia circular por meio de um grande número de produtos – vestuário típico, acessórios, comidas e bebidas de época, música. As duas últimas semanas de junho proporcionam um dos mais bonitos encontros e reencontros dos brasileiros com sua origem e criam percursos espetaculares nas cidades urbanas e rurais.

A alegria, as cores, a musicalidade e as danças, as adivinhações combinam uma parada diante das mazelas, decepções e fracassos que a sociedade brasileira vive para mostrar as outras possibilidades que são realizadas principalmente por iniciativa popular. As festas juninas carregam a criatividade popular, criam brechas e portas para apresentar as recriações das festividades tendo cada lugar a sua forma específica de se pronunciar e, ao mesmo tempo, em conexão com o mundo.

Para Manaus é também um aprendizado: perceber o quanto pode fazer e além do que hoje faz nessa área. As festas juninas perderam espaço e gradativamente foram asfixiadas. Os que resistiram tiveram que traçar seus caminhos e insistir em fazer na base da cooperação, aliás, essa é a face mais comum e mais bonita dessas mobilizações juninas. As comunidades se sentem responsáveis e cada grupo ou família faz a sua oferta para a festa acontecer. Quando um bairro, uma rua, uma comunidade se organiza nessa direção, os resultados costumam ser profundamente positivos e agregadores de outros valores. A festa carrega iniciativas que ressignificam a vida em comunidade.

Que os santos João, Antonio, Pedro, Marçal façam novos milagres por meio dos festejos. Alguns deles já estão acontecendo, a geração de postos de trabalho temporário é um desses exemplos, como ocorre no Festival Folclórico de Parintins e nas cidades do Nordeste. Brincar as brincadeiras juninas, conhecer os causos, ouvir os relatos de memória e tudo isso saboreando iguarias é um direito das pessoas e um instrumento que promove inserções, conhecimento e difunde uma parte ímpar da cultura brasileira. A cadência envolvente desses ritmos e da atmosfera criada testemunham a força de vontade e a determinação dos brasileiros numa das suas feições mais expressivas, a alegria superando tristezas, negações, exclusões.