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Editorial

As pequenas hortas

08/06/2018 às 21:29
Show legumes

Os plantios sejam de jardins sejam de hortaliças e de legumes costumam oferecer resultados altamente positivos quando trabalhados comunitariamente e em pequenas áreas. Moradores passam a ter convivência melhor, a ampliar a prática do respeito em relação ao outro, a reduzir gastos com a compra desses produtos importados de outras regiões e países, a consumir produtos livres de agrotóxicos e, em especial, envolver pessoas de diferentes idades no cuidado com a terra e numa cultura de solidariedade porque esse tipo de exercício envolve e exige compartilhamento.

Na cidade de Manaus, onde a maioria dos produtos consumidos é importada, o preço de uma cesta de legumes e frutas é muito alto, a necessidade de incentivo adequado a essa conduta está cada vez maior. Falta de área não é. São inúmeros os espaços públicos que poderiam ser transformados em hortas nos mais diferentes pontos da cidades (nos trechos de terra entre os viadutos e passagens de níveis, nos espaços de conjuntos residenciais e nas múltiplas áreas de programas como o de Recuperação de Igarapés). É bem-vindo o anúncio de que no âmbito do Prosamim gestores e familiares residentes nos conjuntos vinculados ao programa estão iniciando o plantio de mudas de plantas ornamentais e de hortaliças. E que a medida se concretize e seja ampliada.

Manaus vive uma situação de aridez quase generalizada, maltratada, descaracterizada e com traços fortes de abandono. As feiras que poderiam ser esse outro lugar aprazível para encontros e reencontros de familiares e de realização dos feirantes estão sujas, deterioradas, cercadas por animais abandonados, doentes, e lixo. Tornaram-se um nãolugar de compras e de visitação.

Pequenos gestos e atitudes de congregar podem surtir efeitos bons. As hortas de características comunitárias carregam esse significado. Adultos terão a oportunidade de envolver crianças nessas práticas e de viver com elas a semeadura, o nascer e desenvolver das mudas. Outra cultura passa a ser cultivada entre os humanos e na sua relação com a Natureza. Para a cidade, imersa em relações de profunda violência, esses pequenos caminhos abertos podem representar mais um passo no enfrentamento e na superação dessas violências dentro de casa, na rua do bairro, na escola, no trabalho, na vida cotidiana. O ato de cultivar a terra realiza-se na reciprocidade, as pessoas são cuidadas pela energia da terra.