Sábado, 17 de Abril de 2021
Editorial

As privatizações e o Amazonas


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25/02/2021 às 07:31

Os membros do Legislativo no Amazonas e no Congresso Nacional têm, afora o componente Zona Franca de Manaus dentro da política de governo do país, a tarefa imediata de tomada de posição sobre os possíveis efeitos da privatização da Eletrobras, do Banco do Brasil e dos Correios para os moradores das cidades amazonenses mais distantes da estrutura de serviços que acompanha centros urbanos.

As decisões tomadas a partir do olhar de Brasília costumam, como apontam os históricos feitos sobre elas, ignorar o Brasil mais profundo e, dessa maneira, submeter milhões de brasileiros a exclusão ampla e geral. São porções de gente que efetivamente não contam para os planejadores e não importam aos futuros concessionários e ou donos dos serviços públicos vendidos.

Quais os indicadores de importância social para essa parte do Brasil da Eletrobras, do Banco do Brasil, dos Correios, da Caixa Econômica? Onde estão os parâmetros e quais são eles quando a privatização de empresas públicas é a proposta? Como esse tema é discutido para que a decisão não seja unilateral? Que tipo de estudos foram feitos a fim de apresentar a viabilidade e, para quem, da privatização? São algumas das perguntas que necessitam ser respondidas.

Os que se beneficiam com determinadas privatizações é fácil demonstrar. Os prejudicados são remetidos ao esquecimento e tornados invisibilizados. A experiência amazonense com a privatização da Companhia de Saneamento (Cosama) é um desses exemplos. Onde é possível ter o serviço oferecendo resultados financeiros, a empresa de água atua, onde não é, sai de cena e deixa sob a responsabilidade estatal atender a demanda dos mais vulneráveis. É a Cosama, precarizada dentro da estrutura governamental e de imagem fragilizada perante a sociedade, que responde pela demanda dessas famílias.

O plano do governo federal em andamento oferece riscos por passar por cima das especificidades do Brasil, o que deveria ser a primeira lição de um governante e de sua equipe de trabalho, e por se dispor a entregar às leis do mercado áreas estratégicas da vida de um país. Normalmente, os defensores dessa entrega têm os olhos e a percepção construída a partir de exemplos externos com realidades completamente diferentes da do Brasil. Não se nega a importância de conhecer tais experiências para que, internamente, sejam construídos melhores parâmetros à decisão que será tomada, mas não poderiam ser feitas no modelo que segue hoje.


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