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Editorial

As reformas da barganha

25/04/2017 às 22:55 - Atualizado em 25/04/2017 às 22:58
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As reformas da Previdência e Trabalhista são necessárias. Não é difícil concordar com esse fato. O que provoca medo, instabilidade e protestos é a forma como o Governo Federal e parte dos membros do Congresso Nacional conduzem as matérias. Temas sensíveis como Previdência e Relações Trabalhistas jamais poderiam ser tratados da maneira como está sendo.

As idas e vindas, a barganha política em larga escala para assegurar votos, a completa falta de sensibilidade governamental na apresentação dos dois temas e um aparente desconhecimento e descaso com as diferentes realidades brasileiras criaram o ambiente nevrálgico que ora se vive.

Um clima ruim que não para. Amplos setores da sociedade brasileira apoiam a convocação da greve geral no dia 28 como atitude para demonstrar ao governo a insatisfação a esse modo de atuação. Há cobranças e monitoramento dos membros do Congresso Nacional que representam a possibilidade de o Governo de Michel Temer (PMDB-SP) aprovar tais matérias. A postura do governo é de exonerar pelo menos 13 ministros parlamentares para que, de posse do mandato, garantam votos a favor das reformas e, depois, serão reconduzidos aos seus postos.

Um tipo de prática que não é nova para os governos, mas torna-se recorrência no governo atual e em larga escala diante da possibilidade de racha na base aliada do Governo. Aliás, esse aspecto é um dos que precisa ser revisto no elenco de mudanças fundamentais que o País precisar fazer. O caráter dessa operação mostra o quanto a governabilidade está contaminada pelo que há de mais nefasto e em desvio do que deveria ser. O pacto governo/partidos políticos/ mandatos legislativos é da pior espécie e vem se constituindo em atentado aos interesses da população que ironicamente governo e legislativo deveriam cuidar e defender.

As reformas que deverão ser levadas à votação, se não houver mudanças, são projetos que mais atendem interesses de poucos e pune a maioria dos brasileiros. Reforma pelo pior e tende a funcionar como mecanismo de agravamento das condições socioeconômicas de milhares de pessoas. Não envolve setores que deveriam ser envolvidos e fere aqueles normalmente acionados nos momentos de dificuldades e de crise. Os representantes dos poderes atuam hoje para aprofundar as desigualdades existentes no Brasil.