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Editorial

Assassinato e omissão do Estado

28/07/2016 às 21:51 - Atualizado em 28/07/2016 às 23:52
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O assassinato da líder comunitária Rosenira Soares de Souza, há dois dias, é mais um caso que coloca em evidência escancarada a violência em Manaus. Morta com sete tiros, em casa, na comunidade Nova Vitória, no bairro Gilberto Mestrinho, Zona Leste, Nira é citada por inúmeras pessoas como um exemplo de mulher lutadora e que defendia com vigor os interesses da comunidade. A omissão do Estado ao tratar da denúncia da líder ajudou a transformar essa mulher em vítima fatal.

As informações divulgadas na imprensa indicam que a Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros trabalha com duas linhas de investigação do assassinato, uma relacionada à disputa pela representação da comunidade, e, outra, ao tráfico de drogas naquela região, denunciado pela líder. Qualquer que seja a motivação para o crime o que fica exposto é o grau de violência e da impunidade reinantes na cidade. E, infelizmente, para além dela.

Crimes dessa natureza proliferam nos locais onde a lei é ignorada e outros grupos fazem valer seus códigos, suas leis particulares. As pessoas que moram no Nova Vitória  vivem o clima de insegurança como referência. Se os grupos de traficantes ou a disputa eleitoral pela presidência de uma associação de moradores são resolvidos a bala é de se questionar qual o nível de presença do Estado nesse lugar.

A morte de Rosenira de Souza pede atitude. Da população de Manaus contra o ambiente de violência em que a cidade se transforma a cada dia, produzindo medo e transtornos às pessoas, e das autoridades constituídas que devem se sentir convocadas a perceber o quadro grave que esse assassinato expôs e agir para não permitir a repetição. Afinal, Manaus não é um lugar perdido e sem lei onde uns poucos decidem como e até quando as pessoas devem viver.

Se as medidas adequadas e em parceria não forem tomadas em curto prazo, o que ficará é que serão os grupos de criminosos os detentores da lei e da forma de obediência a ela. Comunidades carentes, onde os serviços essenciais não existem e o narcotráfico avança, apelam aos governos e aos demais poderes para que cumpram suas tarefas e se façam presentes, agindo, prevenindo, protegendo, e punindo os que atuam na criminalidade. Que o assassinato de  Nira não termine no esquecimento e em mais uma omissão.