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Editorial

Ataque à pesquisa científica

13/04/2018 às 23:10 - Atualizado em 13/04/2018 às 23:51
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O setor de pesquisa científica no Brasil está definhando. Se o discurso até bem pouco tempo era sobre a necessidade de ampliar recursos e consolidar programas de pesquisa, hoje os centros de excelência em pesquisa, as universidades e institutos estão em situação de quase penúria. Inúmeros projetos estão sendo paralisados, outros planejados vêm sendo deixados para trás e alguns estão sendo mantidos pelo sistema de cota entre os próprios pesquisadores como último esforço para não verem seguir pelo ralo anos de trabalho de investigação.

Essa é uma das consequências dos ajustes governamentais com apoio do Congresso Nacional nas políticas brasileiras. O corte de 39,6% dos recursos orçados para Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (Inpa) é um entre tantos indicadores do quadro sombrio que está sendo composto no segmento de pesquisa e inovação tecnológica.  A mobilização dos servidores do Inpa, iniciada há dois dias, deve se somar a outras tantas como tentativa de expor o grave cenário nacional e impedir que o mesmo seja aprofundado.

Se mantido o comportamento de agora, os representantes dos poderes da República Federativa do Brasil estão confirmando o projeto de estreitamento das ações que têm no Estado a figura central para incentivar uma política ampla e geral de privatização onde o mercado será o monitor das tomadas de decisões e de quem deve ser alcançado por elas. Na pesquisa científica e na inovação tecnológica as respostas não se dão em prazos curtos. A formação de quadros de competências críticas para agir na sociedade e nas instituições, um dos déficits do País, não se resolve ao apertar botões, é necessário criar e manter em condições decentes ambientes de formação e de cultura de pesquisa. O que está sendo feito na atualidade é desmontar os ambientes criados e ainda à espera de garantias que mantenham a continuidade dos mesmos em padrão de normalidade.

O Brasil decidiu por um caminho que retrocede na política científica, reduz o espaço de participação dos brasileiros, principalmente os jovens, na produção de conhecimento e aceita ser colocado como refém de outros agenciadores internacionais cujos compromissos estão longe dos interesses da sociedade brasileira. Ao mesmo tempo, o País acelera a tática de expulsão de cérebros.