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Editorial

Ataque do governo federal quer enfraquecer o modelo Zona Franca de Manaus

26/10/2017 às 22:02 - Atualizado em 27/10/2017 às 00:40
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Não são novos os ataques autorizados pelo atual Governo Federal visando enfraquecer o modelo Zona Franca de Manaus e transferir linhas de produção hoje instaladas no Amazonas para outros estados da Federação. A novidade do ataque de ontem, que praticamente fere de morte o terceiro mais importante segmento industrial instalado aqui, foi a “sem cerimônia” dos burocratas que mostraram não estar nem aí para o fato da bancada do Estado votar majoritariamente com os interesses deste governo.

No impeachment, por exemplo, os oito votos dos deputados amazonenses foram para tirar Dilma Rousseff do poder e garantir a ascensão de Michel Temer. Na reforma que estabeleceu limites de gastos do governo com áreas sociais, dos onze congressistas 10 votaram com o governo. Na primeira denúncia da Procuradoria-Geral da República, que acusava Temer de corrupção passiva, seis votos foram a favor do presidente. Na quarta-feira, quatro votos livraram o presidente da segunda denúncia do PGR, dessa vez por organização criminosa e obstrução da justiça. O único voto contrário foi da deputada Conceição Sampaio (PP). Dos outros quatro, dois estavam de licença médica - Hissa Abrahão (PDT) e Sabino Castelo Branco (PTB) - e indiretamente com suas ausências ajudaram a sepultar a denúncia. O último deputado, Carlos Souza (PSDB), também faltou e ajudou a causa governista. Portanto, revendo este histórico, os deputados não estão faltando com o governo Temer, mas estranhamente o governo Temer está miseravelmente faltando com o povo deste Estado.

Outro ineditismo deste ataque ao polo de concentrados de refrigerantes é que ele não afeta apenas os trabalhadores de Manaus, posto que a cadeia produtiva do segmento se estende para os municípios do interior. No total estima-se que mais de 70 mil pessoas, direta e indiretamente, trabalham neste segmento econômico.

Em boa hora, portanto, os congressistas amazonenses precisam rever seus posicionamentos em Brasília ou então usar do poder de influência que cada um tem para reverter essa decisão absurda que tira a competitividade das empresas aqui instaladas e incentiva a transferência delas para outros estados, uma realidade que não demorará a acontecer se tudo ficar deste jeito.