Segunda-feira, 20 de Janeiro de 2020
Editorial

Atenção à Saúde


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12/12/2019 às 07:06

A manifestação de profissionais da saúde ontem, em Manaus, é mais uma atitude de tornar pública a situação de descontrole em que se encontra esse setor. Enfermeiros e técnicos de enfermagem da Maternidade Ana Braga protestaram contra os salários atrasados, antes foram os médicos-cirurgiões e, nesse movimento, os pacientes tornam –se duplamente vítimas. Alguns vão a óbito por falta de atenção médica adequada.

Pensa na dimensão da crise instalada no setor de saúde é uma necessidade urgente.  Os dados do monitoramento do e-Gestor do Ministério da Saúde apontam para redução na cobertura dos serviços de Atenção Básica à Saúde em Manaus. A queda é de 44,3%. Em janeiro de 2013, o porcentual da população que recebia o serviço era de 51,61%.

Profissionais da saúde são afetados, o serviço sofre paralisia recorrente, equipamentos estão quebrados e assim permanecem por longo tempo como se esta fosse uma área que pudesse esperar o bom momento para funcionar e prestar assistência adequada. Ao mesmo tempo, focos de doenças explodem na cidade e nos outros municípios, a violência produz mais pacientes e a estrutura existente, em razão da omissão, de desvios dos recursos financeiros, definha.

As cenas de sofrimento mostradas constantemente pela mídia não produzem reações que representem medidas de enfrentamento real a essa situação e de averiguação firme do que está ocorrendo e porque ocorre. O mapa das condições de funcionamento das Unidades Básicas de Saúde (UBS) precisa ser apresentado à sociedade e analisado pelos gestores, pelo Ministério Púbico, Defensoria Pública e pelas organizações da sociedade civil. Este tema não diz respeito um segmento, é de interesse de todos, pois, se trata da vida e do cuidado que as pessoas devem receber para ter saúde e ou para recuperar um estado de saúde que lhe possibilite viver com dignidade.

Um quadro de negação a essa vida tem sido construído ao longo do tempo e tende a se manter como condição de normalidade. É igualmente excludente em si ao determinar quais pessoas terão acesso aos cuidados médicos e quais ficarão esperando a viga, o dia da consulta e da cirurgia, se for o caso.  Milhares de pacientes, em Manaus, vive nessa situação: esperar ou morrer porque não pode mais resistir na lista de espera.
 


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