Sexta-feira, 25 de Setembro de 2020
Editorial

Ausência total de sensibilidade


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14/08/2020 às 08:26

Quando gestores públicos colocam caprichos pessoais acima do interesse da população e deixam de praticar atos de sua responsabilidade, podem ser enquadrados no crime de prevaricação. Quando essa inação se refere a atos que poderiam ter efeitos positivos no enfrentamento da pandemia de covid-19, a atitude do gestor torna-se não apenas criminosa, mas também vil e desprezível. É o que se deu na Assembleia Legislativa do Amazonas, onde o presidente da Casa, deputado Josué Neto – por represálias ao governo do Estado -, manteve engavetados por mais de dois meses projetos especificamente elaborados para ajudar o Estado a superar a situação dificílima imposta pelo novo coronavírus.

Várias matérias estão engavetadas há tanto tempo que tiveram até a utilidade comprometida, já que foram elaboradas tendo em vista a fase mais difícil da pandemia, como as que reconhecem estado de calamidade pública, por causa da covid-19, em Carauari, Benjamin Constant e Coari. As propostas foram apresentadas há mais de 60 dias, e somente agora foram postas em pauta na ALE. Com isso, até agora, as prefeituras desses municípios enfrentam limitações para fazer frente à pandemia. Quantas vidas essa postura custou ao Amazonas?

Algumas matérias tratam de questões que surgiram em função da pandemia, como a proposta que autoriza convênios para remoção de cadáveres em residências particulares durante a calamidade pública, evitando o agravamento da dor das famílias e reduzindo riscos de contaminação. Esta é uma das propostas relacionadas à pandemia que deixaram de ser apreciadas na sessão de ontem, e devem voltar ao plenário somente na próxima terça-feira.

A divergência faz parte do cotidiano político. A postura de oposição tende a ser salutar para a gestão pública quando feita de maneira equilibrada e republicana, pois motiva o diálogo e contribui para o aprimoramento da gestão. Já a oposição irracional, movida por interesses pessoais e feita de forma sistemática em nada contribui para a solução dos problemas do Estado, pelo contrário, é potencialmente danosa.

Trata-se de atitude inaceitável e vil, na medida que pode ter custado muitas vidas, e que demanda, no mínimo, uma explicação por parte de Josué Neto, em face da demonstração absurda de ausência de empatia, bom senso e mesmo de humanidade.


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