Terça-feira, 21 de Maio de 2019
Editorial

Austeridade necessária


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08/05/2019 às 07:24

A máxima austeridade nos gastos públicos deveria ser uma prática comum em todas as esferas de governo independentemente da situação financeira. Algumas medidas anunciadas ontem pelo governo do Amazonas com intuito de reduzir despesas e economizar até R$ 600 milhões por ano já deveriam estar em vigor desde sempre. A adoção de critérios rígidos, por exemplo, na análise de aditivos a contratos da administração, é mais do que necessária. Basta lembrar que o orçamento inicial para construção da Ponte Rio Negro era de R$ 575 milhões em 2007. A obra foi entregue em outubro de 2011, com um custo total de R$ 1,099 bilhão, por conta de sucessivos aditivos ao contrato. Não se questiona a lisura dos aditivos, isso cabe à Justiça. Mas um controle maior sobre a real necessidade de tais acréscimos talvez evitasse desembolsos desnecessários.

Tais medidas podem ter o efeito esperado de reduzir o déficit nas contas públicas do Amazonas, mas não resolvem o problema. É preciso encontrar formas de aumentar a arrecadação, mas isso só vai acontecer com o reaquecimento da economia, principalmente a partir da recuperação da produção e faturamento das fábricas da Zona Franca de Manaus, principal motor da economia local. Infelizmente, as perspectivas no setor industrial não são as melhores. Dados mais recentes revelam que o setor de eletroeletrônicos - o de maior peso na indústria local, concentrando mais da metade do faturamento do Polo Industrial de Manaus - teve recuo superior a 14% em março. Um dado preocupante, que agrava o ambiente de incertezas que ronda a indústria amazonense.

Como medida emergencial para reforçar o caixa, o governo vem atuando em outras frentes. Uma delas é fechar o cerco contra grandes devedores inscritos na dívida ativa. O plano é fazer até mesmo o levantamento de bens dos devedores para eventuais cobranças judiciais.

Com isso, é esperado um reflexo significativo na receita, mas medidas paralelas precisam ser tomadas para ajudar a roda da economia a girar. Conter despesas é necessário, mas também é urgente encontrar formas criativas de fomentar o turismo, o comércio e o empreendedorismo, além da própria indústria.   


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