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Editorial

Avanço da violência é banalizado

03/11/2017 às 22:16
Show morte

 A evolução da violência nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste é um dos aspectos destacados no Atlas da Violência 2017 produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o  Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Os indicadores recentemente divulgados reforçam o que diariamente é assunto na mídia e tem sido advertido por pesquisadores desse campo bem como mobilizado ativistas em todo o País para pedir ‘basta de violência’.

A reunião desses elementos demonstra mais uma vez a emergência de os governos tratarem com maior seriedade a área da segurança pública. Isso significa, primeiro, evitar a partidarização e a politização do setor, e sim investir na competência dos vários segmentos que precisam ser envolvidos numa ação governamental comprometida em melhorar os índices de segurança na esfera pública. 

Caberá aos governos liderar iniciativas que envolvam toda a estrutura governamental e da iniciativa privada, bem como reativar diálogos com o movimento social para que possam ser construídas linhas de ação no enfrentamento a violência. O mais grave e preocupante é que sucessivamente os governos, notadamente na Região Norte têm privilegiado atitudes que ao contrário de produzir controle eficiente no setor revelam-se estimuladoras da violência e, consequentemente, da insegurança pública. A violência necessita da insegurança para ter êxito e é assim que a maioria dos brasileiros do Norte se sente. No Amazonas, a população tanto da capital quanto de municípios que passavam a sensação de segurança está amargurada e em pânico com as cenas de violência cotidiana que presenciam ou são vítimas.

Se não houver entendimento das autoridades a respeito da gravidade da situação e, se os estudos feitos sobre segurança pública não forem considerados com peças valiosas para as ações de governo o cenário que já é grave tende a se tornar caótico. Quando se avalia os indicadores de violência a partir das cidades de população menor a sensação é de fracasso completo nas iniciativas. No Amazonas, os pacatos municípios estão sendo tomados por grupos de criminosos que alteram completamente a realidade dos moradores. A violência como parte da vida diária vem se tornando presente e ameaça todas as cidades amazonenses constituindo-se em dilema de profunda repercussão em função da reconfiguração da rede de narcotraficantes no interior do Amazonas e da Amazônia.