Sexta-feira, 04 de Dezembro de 2020
Editorial

Avanço do desemprego


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31/10/2020 às 01:28

Em três meses, o número de desempregados no Brasil cresceu em 1,1 milhão. O País perdeu 12 milhões de postos de trabalho em um ano e viu a população ocupada encolher para o menor contingente desde 2012. A taxa recorde de desemprego registrada no trimestre terminado em agosto - 14,4% - tem como causa principal o terremoto que a pandemia do novo coronavírus causou na economia do Brasil e do mundo. Com as pessoas tentando voltar a alguma normalidade e também devido ao fim iminente do auxílio emergencial, cresce o contingente daqueles que deixam o confinamento, partem em busca de trabalho, e não encontram. E o pior é que a crise nos empregos tende a se agravar nos próximos meses, o que exige ação rápida do poder público, um esforço que precisa ser coordenado com a participação do governo federal, governos estaduais e prefeituras. 

O Brasil precisa, mais do que nunca, fomentar a criação de empregos. A estratégia de tapar o sol com peneira não tem como funcionar. O governo tenta vender a ideia de uma recuperação que, na verdade, não está acontecendo na velocidade que se alardeia. Na última quinta-feira (29), o Ministério da Economia divulgou a criação de 313.564 empregos com carteira assinada em setembro, mas no acumulado dos nove primeiros meses do ano, foram fechados 558.597 postos formais no País. E as dispensas continuam. É preciso agir. O problema é que, para isso, seria necessário que houvesse, em Brasília, a perfeita percepção do problema, além de seriedade para enfrentá-lo. Não há sinais nem de uma coisa nem de outra. Pelo contrário, o cenário político na capital federal parece ter atingido patamares mais baixos nos últimos dias, com troca de ofensas infantis entre autoridades, piadas homofóbicas e tretas entre ministros. 

O desafio de combater o desemprego é enorme, mas especialistas concordam que há medidas capazes de amenizar a situação, desde que sejam tomadas sem mais demora. Ações de estímulo ao emprego, principalmente para os jovens, mais afetados pela crise, devem ir além da suspensão dos contratos e redução das jornadas. Alguns setores da economia têm sido mais afetados que outros, demandando abordagens específicas de crédito e incentivos.
 


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