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Editorial

Avançou, mas poucos passos

23/05/2017 às 21:53 - Atualizado em 23/05/2017 às 21:54
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As reformas que tanto o Brasil necessita na atual quadra parecem que vão sair a duras penas em meio a crise política aberta com as delações e gravações clandestinas feitas pelos empresários Joesley e Wesley Batista, donos do grupo JBS, já hoje considerados os "homens bombas" da República.

Em que pese o barulho da oposição, tanto a reforma previdenciária quanto a trabalhista andaram celeremente nos primeiros processos legislativos na Câmara Federal e no Senado. Ambas tinham tudo para já estarem em vigor no segundo semestre, quando o governo de Michel Temer (PMDB) esperava ver concretizada a promessa de retomada do crescimento e dos empregos, um trunfo e tanto para chegar no último ano do governo em paz com a opinião pública, que lhe dedicava míseros 9% de aprovação segundo a última pesquisa do instituto DataFolha.

Pego no contra pé, Temer viu o tempo de aprovação ser jogado, nas palavras do Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, para algumas semanas adiante. A oposição, contudo, vai trabalhar para barrá-las de vez e ontem mostrou disposição para isso.

Na Câmara,  o clima de animosidade contra o presidente contribui para a paralisação dos debates por horas e hora e não havia estimativa de sucesso para o governo devido a união da oposição com blocos governistas que tentam se apartar de Temer. De positivo apenas o veto ao avanço da análise da PEC que estabelece eleições diretas em caso de vacância do cargo de presidente no segundo biênio de um mandato.

No Senado, onde o texto da reforma trabalhista estava em análise da Comissão de Assuntos Econômico, uma confusão entre senadores, alguns foram as vias de fatos, barrou a sessão, mas não impediu que o presidente da CAE, Tasso Jereissatti (PSDB/CE), desse o relatório do senador Ricardo Ferraço (PSDB/ES) por lido e abrisse vistas para todos os membros do colegiado.

A duras penas, portanto, o governo avançou com elas, mas foram apenas pequenos passos. Espera-se que a previsão de Meirelles se concretize e o País não fique paralisado por conta dos irmãos bombas.