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Editorial

Bancada do AM tem dito sim às políticas de ‘agrado’ do governo Michel Temer

06/01/2018 às 15:56 - Atualizado em 06/01/2018 às 17:54
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Os meios de comunicação noticiaram há dois dias o “agrado” do Governo de Michel Temer ao liberar verbas para o Amazonas e outros Estados. Os recursos são necessários para a manutenção de atividades e modernização de áreas fundamentais como a de Saúde e Educação. O que é inaceitável é o tipo de estratégia utilizada para que a União transfira verbas federais aos Estados e Municípios.

Somente em vigência de regime de exceção é que comportamentos dessa natureza ganham caráter de normalidade exatamente porque ocorrem no berço onde a negação da democracia é embalada. Parte da equipe presidencial do primeiro escalão fala sem qualquer sinal de constrangimento do “é dando que se recebe” como o qual o governo decidiu agir para viabilizar aprovação de propostas no Congresso Nacional como é o caso da Previdência Social.

O Amazonas, por meio da maioria da bancada estadual no Congresso, tem dito sim ao que quer o presidente Michel Temer, e pouco ouve os clamores de outros segmentos que estão questionando inúmeras propostas e tomadas de decisão. É uma conduta a qual parlamentares irão ser cobrados.

Para além desse tipo de negociação política, o que chama atenção é ver um setor como o de saúde pública receber agrado do governo. Afinal de que tipo de planejamento e política de saúde se está falando no País? Como é possível um quadro tão crítico ser tratado pelo viés do “agrado” episódico?

A sucessão de atos que menosprezam uma política de governo efetiva é enorme ao ponto de naturalizar o que é indevido e improbo. Uma política administrativa decente não passa pelo filtro de agradar e sim por estudos responsáveis e monitoramentos eficientes dos serviços públicos a fim de saber o que funciona bem para a população usuária e o que não funciona, porque não funciona.

Enfim, nos municípios, nos Estados e na federação os serviços governamentais serão melhores na medida em que informações responsáveis e continuas sejam tecnicamente manejadas em favor da população e em respeito ao contribuinte. A política de agrado ou recompensa é politicagem e aprofunda a crise na administração pública, arrasta as gestões governamentais para a lama e a mendicância por sinais de recompensa pelo apoio dado ao governo central. É vergonhoso.