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Editorial

Boa vizinhança

15/05/2016 às 20:43
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Um dos requisitos para o êxito de qualquer nação, tanto na área econômica, quanto nos aspectos social e político, é a manutenção de boas relações externas. Na era globalizada em que vivemos, as relações entre os países são cada vez mais estreitas. Independentemente da vontade dos governantes, o que ocorre em um país acaba tendo  consequências para os demais. E isso torna-se  ainda mais marcante quando se fala de nações vizinhas.

É por essa razão que o Brasil precisa, necessariamente, manter boas relações com os vizinhos sul-americanos. Essas relações tiveram avanços significativos nas últimas décadas, com acordos que propiciaram benefícios mútuos. O Mercosul, por exemplo, mesmo cambaleante, representa uma grande oportunidade de fortalecimento econômico para os países participantes do bloco. Venezuela, Colômbia, Peru, Argentina, entre outros países desta parte do continente são extremamente importantes para a Zona Franca de Manaus, por exemplo. São importantes parceiros comerciais, responsáveis por parcela significativa das exportações do modelo.

Aí reside um dos desafios do novo governo federal, comandado por Michel Temer: ter sua legitimidade reconhecida pelos demais países. Não se trata de uma tarefa simples, pois, aos olhos do mundo, Dilma Rousseff era – e ainda é - reconhecida como a legítima presidente do Brasil. A missão de Temer, ou mais especificamente, do ministro das Relações Exteriores, José Serra, é convencer os demais líderes mundiais que o afastamento da presidente ocorre dentro das regras definidas na Constituição e com total respeito à democracia. Nesse cenário, esnobar as nações vizinhas, criando um clima de animosidade internacional não parece ser uma boa estratégia. Pelo contrário, o novo governo precisa buscar o diálogo e mostrar-se disposto a parcerias com vantagens para todos. E o lugar para começar é aqui mesmo, na América do Sul.

As diferenças ideológicas do outro precisam ser respeitadas. Se determinado país é bolivariano, chavista ou o que for, são questões internas de cada nação, que não devem interferir no bom relacionamento entre os países. Goste ou não, o novo governo brasileiro precisa de seus vizinhos e poderá ter sérios problemas se não reconhecer isso.

Foto: Cacalos Garrastazu/ ObritoNews