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Editorial

Bomba-relógio

25/04/2016 às 08:54
Show boms

Isolada internamente – com antigos aliados debandando diante do afastamento iminente – a presidente Dilma Rousseff recusa-se a jogar a toalha. A mais recente tentativa desesperada de permanecer no cargo é uma tentativa de obter junto à comunidade internacional o reconhecimento de que o processo que se vive no Brasil estaria à margem da legalidade. Esta seria uma forma de retirar de Michel Temer a legitimidade para atuar como presidente caso o impeachment seja mesmo aprovado no Senado. A estratégia pode surtir algum efeito, mas não tem potencial para salvar o mandato da petista.

O vice-presidente Michel Temer não ficou de braços cruzados e tratou de conceder entrevistas à imprensa estrangeira com intuito de defender seu nome e negar qualquer atitude “golpista”. O que a comunidade internacional questiona são os motivos que baseiam o impeachment. E é preciso reconhecer que não há consenso sobre eles. No entanto, pelo andar da carruagem, a discussão se houve ou não crime de responsabilidade está entre as menos importantes. Sem apoio na Câmara e no Senado, Dilma não teria condições de recolocar o País nos trilhos. Até o apoio das ruas esfriou, com a militância admitindo a derrota e passando a atuar em estratégia de guerrilha, com atos isolados e com pouca repercussão.

O que os apoiadores da presidente já perceberam – e que ela também precisa notar – é que já se estabeleceu no País uma “onda” que não pode ser freada. O governo exerce o sagrado direito de espernear, mas todo o contexto da política nacional caminha para a aceitação de Michel Temer na Presidência da República: o PT articula sua oposição, PSDB e demais partidos negociam apoio, o mercado conta os dias para a decisão no Senado, e a parcela da população favorável à presidente conforma-se com o cenário, lamentando a vitória – pelo menos por enquanto – do articulador do impeachment, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, que ocupará função equivalente a de “vice-presidente” na gestão Temer.

Enquanto isso, uma bomba-relógio aproxima-se do momento da detonação. A dívida pública cresce a passos bilionários. Alguém precisa tomar as medidas necessárias, seja Dilma, seja Temer. Se uma definição não ocorrer logo, haverá uma crise bancária arrastando o País para o caos. Evitar isso, neste momento, é mais importante que qualquer vaidade ou disputa política.