Terça-feira, 19 de Outubro de 2021
Editorial

Brasil congela investimentos na educação


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21/09/2021 às 06:38

O Brasil ocupa uma das piores classificações entre 37 países no quesito investimento em Educação. O documento divulgado na última semana é da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) que mapeou os recursos destinados à área da Educação no período da pandemia da Covid-19.

Até 2018, os gastos públicos com Educação representavam 4% do Produto Interno Bruto (PIB – soma de todas as riquezas de um país). O porcentual permanece inalterado até hoje, mesmo com a pandemia que obrigou a tomada de decisões em todos os setores e, no ambiente escolar, ao fechamento prolongado das escolas e das universidades. 

Para os estudantes mais carentes a impossibilidade de ir à escola e a alternativa do ensino remoto representaram perdas expressivas. A maioria não dispunha de recursos tecnológico que lhes garantisse participar das aulas e não houve por parte do governo, em tempo hábil, uma operação capaz de oferecer apoio aos milhares de estudantes pobres e suas famílias a fim de que pudessem ser incentivados a acompanhar as atividades na modalidade remota.

A maioria dos países pesquisados pela OCDE aumentou as ações no setor, como por exemplo contratação de professores para acompanhar os estudantes em situação de risco, garantir, sempre que possível, menor número de alunos em sala de aula, e cobertura de reforço escolar.

No relatório da OCDE, 37% países contrataram mais professores, 30% deles ampliaram o número de professores nos anos finais de curso. Alguns países entre os quais Portugal, Nova Zelândia e Espanha investiram na educação do sistema educacional no período pandêmico. No caso brasileiro, a tomada de decisão foi lenta, retardatária e com falhas que agravaram o retorno às atividades escolares dentro dos padrões de segurança estabelecidos internacional e nacionalmente.

Para os estudantes brasileiros mais carentes, a política adotada no País ajudou a aumentar a violência contra crianças e a fome. Esse segmento tem na escola uma das fontes principais de alimentação, de acordo com inúmeros estudos científicos que monitoram a importância da merenda escolar para os lares mais pobres. Sem essa refeição, crianças e adolescentes tiveram que compartilhar em casa as dificuldades ampliadas pelo isolamento social, a perda do emprego e a falta de auxílio emergencial, medida que demorou a ser tomada pelo governo federal. Restaram nesse convívio a fome, o medo e, em muitos casos, a violência doméstica.
 


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