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Editorial

Brasil dependente

06/09/2016 às 22:13
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Há exatos 194 anos, o Brasil teve sua independência declarada, passando a ser uma nação entre nações. Foi um caso atípico na história, pois a separação da metrópole - no caso, Portugal - ocorreu de forma relativamente tranquila, sem grandes conflitos. O que ocorreu, de fato, foi uma combinação de fatores que acabaram favorecendo a independência nacional. Naquele momento, era mais interessante às potências mundiais de então, notadamente a Inglaterra, que o País fosse uma nação autônoma. E assim, começamos a caminhar com as próprias pernas.

Infelizmente, quase 200 anos depois, a dependência do País ainda permanece em vários aspectos, como o tecnológico e o industrial. O Brasil continua, como em 1822, produzindo matérias-primas para o centros industriais do mundo. A maior parte da pauta de exportações ainda são as commodities, produtos básicos como grãos, metais e petróleo. Nesse aspecto pouca coisa mudou. Na época da independência, o Brasil mandava açúcar para Portugal, que o repassava para a Holanda. Eram os holandeses que realmente lucravam com o negócio, distribuindo o produto em toda a Europa.

Hoje em dia, grande parte de nossos produtos ainda são exportados e industrializados fora. É o que ocorre, por exemplo, com o ferro e a soja. Apesar de algumas iniciativas realmente válidas, o País não conseguiu projetar-se na área de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), destacando-se como centro desenvolvedor de novas tecnologias, utilizando nossas próprias matérias-primas.

Não temos sido capazes de vencer as barreiras de sempre. Um exemplo bem próximo é o Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA). Ele foi concebido estrategicamente com essa finalidade: desenvolver novas tecnologias a partir de uma das riquezas mais abundantes do País, a gigantesca e pouco explorada biodiversidade amazônica. Seria um passo importantíssimo para a região, que produziria inovações com potencial para conquistar mercados em todo o mundo com produtos como medicamentos, cosméticos, fitoterápicos, entre outros. O CBA foi inaugurado, mas seu modelo de gestão continua indefinido. Assim como as reservas de potássio do Amazonas ainda estão no subsolo enquanto o País importa quase todo o material que consome. Precisamos urgentemente nos tornar, de fato, independentes.