Sábado, 22 de Fevereiro de 2020
Editorial

Brasil desenvolvido?


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14/02/2020 às 08:56

O Brasil é um país desenvolvido? Para responder a essa pergunta, é preciso olhar para os parâmetros de desenvolvimento adotados e reconhecidos no âmbito internacional. O termo “desenvolvido”  é usado para definir nações com altos níveis de desempenho econômico e social, segundo critérios técnicos. Segundo o IBGE, a renda per capita do País era de R$ 31,8 mil por ano em 2017 (dado mais recente). Em países desenvolvidos, pelos critérios da ONU, a renda per capita média é de R$ 202,7 mil, quase sete vezes maior que a do Brasil. Isso, sem mencionar a gigantesca concentração de renda no País, onde milhões de famílias, principalmente nas regiões Norte e Nordeste, sobrevivem com menos de um salário mínimo por mês.

Por qualquer que seja o critério, o Brasil, infelizmente, é um país em desenvolvimento, que ainda precisa melhorar muito seus índices socioeconômicos para se considerar uma nação desenvolvida. Tal avanço só pode ser feito em  longo prazo, com adoção de políticas corretas e pesados investimentos em educação, saúde, infraestrutura e outras áreas prioritárias. Não será uma canetada que mudará o fato de que 35 milhões de brasileiros não têm acesso à água tratada, de que 11,3 milhões são analfabetos, e de que temos a segunda maior  concentração de renda do mundo.

Ao ser reconhecido como nação desenvolvida pelos Estados Unidos, além de pagar um mico internacional, o Brasil aceita participar de uma estratégia política promovida pelos norte-americanos e que tem a China como alvo. Não foi só o Brasil. Outros 24 países foram classificados pelo Departamento de Comércio dos Estados Unidos como nações desenvolvidas. O objetivo é aumentar o poder americano para combater eventuais subsídios para exportações. Ocorre que, se o país está em desenvolvimento, há maior tolerância internacional quanto a subsídios e outros auxílios à produção de itens para  exportação. Agora que o Brasil é visto como “desenvolvido”, essa tolerância cai de forma significativa. As regras que passam a valer são as mesmas vigentes para Alemanha e Japão, por exemplo, segundo afirmam especialistas. Que impacto isso terá no comércio exterior brasileiro? Não sabemos ainda. O que se pode afirmar com certeza é que será positivo para os Estados Unidos, em sua “guerra fria comercial” com a China.


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