Publicidade
Editorial

Bravatas são só bravatas

09/11/2016 às 23:14
Show trump033

O fato de Donald Trump ser o próximo presidente do país mais poderoso do mundo tem causado muita apreensão, sobretudo pelas ideias e posicionamentos radicais que o então candidato manifestava durante a campanha, com altas doses de homofobia, racismo, xenofobia e machismo. Trata-se de um modelo de político que vem ganhando força nos últimos tempos, inclusive no Brasil.

De qualquer forma, muito dos temores em relação à postura bizarra de Trump não deve se concretizar. Isso porque o presidente, em qualquer democracia, não tem poderes absolutos, não governa  sozinho, suas decisões e projetos precisam passar pelo crivo dos congressistas. E pelo resultado apertado nas eleições, Trump deve encontrar muita resistência por parte do Poder Legislativo dos Estados Unidos.

Então, ideias como o muro separando os Estados Unidos dos países latinos da América devem ficar mesmo apenas no campo das bravatas, ditas no calor da disputa eleitoral como parte da estratégia de falar a um público que admira a espetacularização.

Um indicativo disso pôde ser visto na primeira manifestação pública de Trump após a confirmação da vitória, quando a verborragia deu lugar a um discurso conciliador. Propositalmente, incluiu as mulheres no discurso, ao falar que o povo americano “está mais unido do que nunca”.

Não se sabe que tipo de política será implementada em relação aos latinos que vivem nos Estados Unidos, mas no que diz respeito às relações comerciais, os preconceitos dificilmente prevalecerão. Isso porque os negócios -  e Trump sabe bem disso - falam uma língua bem específica. Quase 13% de tudo que o Brasil exporta vai para os Estados Unidos. Trata-se do segundo maior parceiro comercial do País, atrás apenas da China, que fica com 19,5% das exportações brasileiras.

No caso da Zona Franca de Manaus, por exemplo, os Estados Unidos, há pouco mais de uma década, eram os principais compradores dos produtos fabricados por aqui. Esse cenário mudou. Mesmo assim, o país que será governado por Donald Trump a partir de 2017 é o terceiro maior comprador dos produtos fabricados em Manaus. Dificilmente essa boa relação mudará com as políticas que venham a ser implementadas pelo novo presidente norte-americano.