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Editorial

Câmara não pode fugir ao debate

03/06/2018 às 20:40 - Atualizado em 03/06/2018 às 20:42
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A controvérsia envolvendo o transporte urbano de Manaus deve chegar nesta semana à Câmara Municipal, com o prometido pedido de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as contas das empresas que operam o sistema na capital. Para os líderes dos rodoviários, é inaceitável que as empresas associadas ao Sinetram não tenham condições de reajustar os salários da categoria quando Manaus tem uma das maiores tarifas do País. Não deixam de ter alguma razão; a falta de transparência por parte das empresas é uma das questões que precisam ser abordadas.

A Prefeitura de Manaus, por outro lado, não teria nenhuma moral para exigir a publicidade das contas, uma vez que também não prima pela transparência. Se as empresas  não conseguem honrar os acordos firmados com seus funcionários, nem oferecer um serviço de qualidade, precisam começar a discutir sua saída do sistema, afinal, o negócio teria perdido a viabilidade. Certamente não o farão porque a operação do sistema em Manaus é, sim, vantajosa. Se não fosse, as empresas já teriam devolvido a concessão. Algo precisa ser explicado. A impressão que fica para a população é que as empresas estariam lucrando com a falta de qualidade do serviço. 

 Independentemente de haver ou não investigação na CMM, já passou da hora dos vereadores se manifestarem sobre um dos problemas mais sérios da cidade, que tem atingido duramente a população que precisa dos ônibus para chegar aos seus empregos. Enquanto representantes  eleitos pelo povo , cabe aos vereadores promover o debate e ajudar a encontrar uma solução o mais brevemente possível, sem que a tarifa seja novamente majorada. Isso os usuários não suportariam. 

Os usuários não aguentam mais o inferno que se tornou ter que usar o sistema de transporte da capital. Além da falta de segurança, dos veículos velhos e sempre lotados, a espera nas paradas acentuou-se ainda mais com a redução na frota que os rodoviários vem promovendo desde a semana passada, complicando demais a vida de quem depende desse modal. 

A questão não pode ser tratada com a falta de compromisso que se verifica frequentemente no Parlamento Municipal. É hora de deixar as orientações políticas de lado e priorizar o povo manauara.