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Editorial

Candidatos a governo devem ter compromisso com a ética

23/06/2017 às 22:21
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Corrupção nas eleições e abuso do poder econômico, com uso de recursos oriundos de caixa 2, são questões que precisam ser superadas pelo bem da democracia brasileira. O Estado do Amazonas está gastando mais de R$ 16 milhões em uma eleição suplementar por causa de crimes eleitorais cometidos no pleito de 2014. Um preço político e econômico que poderia ser evitado a realização de eleições limpas fosse a prioridade. A evolução social acontece, entre outros fatores, quando aprendemos com os erros. Eleitores e a classe política precisam aprender a respeitar as regras, virar a página da história e deixar compra de votos, caixa 2 e corrupção para trás de uma vez por todas.

O repúdio ao caixa 2 e à corrupção não pode ser apenas discurso de campanha, tem que ser compromisso levado muito a sério. Pelo jeito, não é o que pensa metade dos candidatos ao cargo de governador do Estado na processo eleitoral em andamento. Ontem, apenas quatro das oito chapas compareceram ao Sindicato dos Jornalistas para assinar a carta-compromisso contra a corrupção e caixa 2. Os demais estavam envolvidos em atividades que devem ter considerado mais importantes.

Assinar a carta - que é uma iniciativa do Comitê de Combate à Corrupção e ao Caixa 2 - é apenas um ato simbólico, mas que passa à sociedade a mensagem de que há interesse na mudança, no progresso e na superação de práticas que têm colocado em xeque a própria eficácia do sistema político vigente.

Mais importante que assinar a carta-compromisso preparada pelo Comitê, é adotar, de fato, uma postura de intransigência com essas práticas que lançaram o País na crise política atual que parece não ter fim. Afirmar o compromisso com a ética e a responsabilidade não deveria ser necessário. Em um mundo “normal”, políticos e agentes públicos deveriam contar com a “presunção de honestidade”. Mas diante da avalanche de denúncias, delações premiadas e atos espúrios, infelizmente, ocorre o contrário. Todo político é visto, de antemão, como um corrupto. Essa lógica precisa ser invertida, a corrupção não pode ser banalizada a ponto de acharmos que “política é assim mesmo”.

É possível mudar, e a mudança tem que ser um compromisso de cada um.