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Sim & Não

Capacitar para administrar

05/11/2017 às 21:01
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Desde sempre, a principal receita dos municípios do interior do Amazonas são as transferências de recursos federais. As únicas exceções são Coari – por conta dos royalties provenientes da exploração de petróleo e gás - e a capital, que abriga a imprescindível Zona Franca de Manaus. Assim, os prefeitos do interior precisam fazer malabarismos para manter a gestão municipal em pleno  funcionamento. Porém, a falta de preparo dos gestores municipais é evidente no índice de reprovações de contas por parte do Tribunal de Contas do Estado (TCE).

Fica difícil afirmar até que ponto as irregularidades se devem à má fé dos gestores, ou à simples falta de noção a respeito da administração da contas municipais. É preciso levar em conta que administrar qualquer  dos municípios do Amazonas não é tarefa fácil diante das peculiaridades do Estado. Os prefeitos que conseguem chegar ao final de suas administrações com as contas no azul e com serviços públicos em pleno funcionamento são heróis. Outro fato que precisa ser considerado é que esse cenário só será alterado por meio de uma ação estratégica que precisa ser protagonizado, ou pelo governo do Estado, ou pelo próprio TCE.

O despreparo dos gestores nos municípios do interior é evidente. E a população é a principal prejudicada, pois a inépcia na gestão acaba acarretando em problemas que resultam até em bloqueio de repasses federais, como é o caso de alguns municípios amazonenses. Para evitar esse cenário negativo, o governo poderia promover o treinamento dos prefeitos, e não apenas no que diz respeito às contas, mas também quanto às oportunidades para captação de recursos, que existem, mesmo no cenário de crise que já se arrasta há alguns anos.

No entanto, mesmo sem a oferta de treinamento e qualificação adequada aos gestores, os realmente interessados poderiam buscar esses conhecimentos por conta própria para não deixar seus municípios em dificuldades. Infelizmente, são poucos os que têm consciência dessa necessidade. A maioria sequer se importa em cumprir a legislação disponibilizando um portal da transparência para tornar públicos todos os atos da gestão.
E assim, o Amazonas segue como tem sido há muitas décadas. Com falta de transparência nas contas municipais – um problema que se vê até mesmo na capital –, com prefeitos mal intencionados que apenas usam o cargo para obter benefícios pessoais, ou que, mesmo honestos, não conseguem encontrar os meios necessários para beneficiar seus municípios e promover o desenvolvimento.