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Editorial

Caras de pau

12/12/2016 às 21:21
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O interesse público, o bem estar comum e o desenvolvimento social parecem não estar entre as principais metas da atividade política em nosso País, especialmente em nossa cidade. Os posicionamentos no Parlamento Municipal, por exemplo, dependem, em primeiro lugar, do alinhamento político dos parlamentares. As próprias consciências parecem estar atreladas à fidelidade canina de alguns de nossos representantes. Tomar o tempo na tribuna do povo para tentar “limpar a barra” do prefeito de Manaus, citado por delator envolvido na Operação Lava Jato como beneficiário de doações por parte da construtora Odebrecht, ultrapassa os limites do mero “puxassaquismo”.

É preciso ter um pouco mais que apenas cara de pau para tomar tal atitude. Foi o que fizeram alguns dos nobres parlamentares, ontem, da Câmara Municipal, na primeira sessão após as revelações de que o prefeito Artur Neto estaria na lista de políticos que aceitaram vultosa propina da empresa para financiamento de campanha.

Segundo o delator, foram mais de 50 políticos que, por sua influência, foram contemplados por doações que visavam, sem dúvida, a obtenção de vantagens futuras. Para Manaus, é uma vergonha ver o nome do prefeito da capital, identificado como “Kimono”, integrando a mesma lista onde também figuram “Boca Mole” (deputado Heráclito Fortes), “Todo Feio” (ex-deputado Inaldo Leitão) e “Caranguejo” (ex-deputado Eduardo Cunha) entre tantos outros.

A completa elucidação do caso está nas mãos da Justiça. Não se trata de escolher um lado, julgar nem absolver ninguém. O lado dos vereadores deveria ser sempre o da população de Manaus. Deveria ser de interesse dos nobres parlamentares o  rápido esclarecimento dos fatos. Deveriam eles ser os primeiros a exigir do prefeito as explicações que o povo de Manaus, sobretudo os milhares de eleitores que o reelegeram para um novo mandato, merecem. Em vez disso, apressam-se em por “panos quentes” e até indignar-se com o vazamento das informações relacionadas à delação.

Esta é a classe política que nos representa. É como disse o ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes: “Temos uma classe política de excelência”. Resta saber a serviço de quem está essa excelência. Não parece ser a serviço do povo. A sugestão de Óleo de Peroba, como provocou o vereador Waldemir José referindo-se aos apoiadores do prefeito, pode ser um recado bastante válido aos vereadores, não para usarem o popular lustrador de móveis em seus próprios rostos, evidentemente, mas no sentido de que podem adotar um pouco mais de vergonha antes de apresentar seus posicionamentos. O povo está vendo. No atual momento político pelo qual o País passa, ouvir o povo pode ser fundamental para a sobrevivência política de qualquer pessoa pública.