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Editorial

Careiro no mar de lama

10/02/2018 às 17:57 - Atualizado em 11/02/2018 às 10:49
Show careiro

O papel que cabe a um vereador é dos mais nobres: representar os interesses da população perante o poder público. Eles são responsáveis pela elaboração de leis que devem impactar positivamente na vida das pessoas, bem como fiscalizar e contribuir com a administração municipal. Entre os parlamentares, o vereador é o mais próximo da população, pois sua atuação se restringe a apenas um município. Uma grande responsabilidade, função que precisa ser desempenhada com extremo zelo e comprometimento.

O que aconteceu no município de Careiro, onde uma verdadeira quadrilha tomou conta da Câmara Municipal é o extremo oposto do que os vereadores devem representar. A operação Apagar das Luzes, levada a cabo pelo Ministério Público do Estado (MP-AM), desvendou um sofisticado esquema de corrupção, com pagamentos de “mensalinhos” que variavam de R$ 6 mil a R$ 20 mil - dependendo da posição do vereador na organização criminosa. Os parlamentares eram pagos para acobertar as ações do núcleo da quadrilha, formada por ex-secretários municipais e empresários sob a chefia do ex-prefeito Hamilton Villar (PMDB). Mensalmente, o esquema movimentava pelo menos R$ 150 mil só na Câmara Municipal. 

O Ministério Público desvendou apenas uma parte do emaranhado que, ao que parece, permeava toda a administração do Careiro. Os cargos de prefeito, vice-prefeitos, secretários e vereadores eram ocupados apenas para saquear o município, promovendo enriquecimento ilícito dos participantes. Enquanto isso, a cidade, com seus 37 mil habitantes, exibe o IDH de apenas 0,557, que indica a baixa qualidade dos serviços de saúde e da educação, além da baixa renda dos habitantes.

Impossível não pensar no que ocorre nos demais municípios do vastíssimo interior do Amazonas. Que outros casos de corrupção generalizada permanecem ocultos, favorecidos pelo vazio institucional? É preciso dar um basta nisso. O caso do Careiro precisa ser exemplar. Que todos os culpados sejam identificados juntamente com a completa extensão dos delitos e que sejam punidos com todo o rigor da lei. É preciso mostrar à população que o crime não compensa, que a vida não é dos “mais espertos”, que a Justiça existe e que ser honesto não é ser tolo.