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Editorial

CBA é organização social. E agora?

20/05/2018 às 20:22 - Atualizado em 21/05/2018 às 00:46
Show cba

Finalmente, o Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA) começa a dar os primeiros passos rumo à realização de sua função social: estabelecer um elo entre a inovação em estado bruto e a produção. Essa era a ideia há 15 anos, quando a instituição foi inaugurada: ser um instrumento da indústria no desenvolvimento de produtos a partir dos recursos da floresta. A transformação do CBA em Organização Social (OS) resolve o problema essencial da falta de personalidade jurídica e concede ao Centro a autonomia necessária para firmar contratos e desenvolver projetos, livre do imbróglio que foi sua gestão desde que foi inaugurado.

Porém, outros passos precisam ser dados, e de forma acelerada para compensar todo o tempo perdido. Um edital será elaborado para selecionar a instituição que vai gerir a nova OS que será o CBA. Isso precisa ser feito com muito cuidado e, principalmente, levando em consideração a opinião da comunidade científica local. Nesse processo de construção do novo CBA é fundamental a participação ativa de atores como as universidades Federal do Amazonas (Ufam) e do Estado (UEA), do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (Inpa), do Instituto Federal de Educação (Ifam) e da Embrapa. 

São órgãos que devem influenciar na elaboração do edital de convocação e de estruturação da OS. Isso é necessário para garantir que o CBA tenha a cara da Amazônia e não assuma um perfil “alienígena”, como teme a atual administração do Centro.

É fundamental definir critérios no edital com base nos interesses e conhecimentos tradicionais da região amazônica.

Outra preocupação é a garantia de recursos para tocar as atividades, principalmente nesse reinício. Não adianta transformar em OS e deixar o CBA à deriva como está acontecendo com o Inpa, que sofre com cortes profundos no orçamento, obrigando pesquisadores a tirar do próprio bolso para manter coisas básicas como água nos bebedouros. O mesmo acontece em outras instituições estratégicas para a região.

Apesar desses temores, a comunidade científica local comemora a transformação do CBA em OS, e renova a esperança de que a instituição deixe de ser a “anta branca” que tem sido nos últimos 15 anos para se tornar uma “onça” a favor do desenvolvimento científico e também econômico do Amazonas.