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Editorial

CBA escancara descaso

26/02/2017 às 19:54
Show cba

Há 15 anos o Centro de Biotecnologia da Amazônia ganhava espaço espetacular na mídia como uma das propostas para alavancar outra etapa no desenvolvimento da região. Desde lá, o CBA virou um drama para gestores que compreendem esse espaço de fato como outro caminho de possibilidades para a Amazônia a partir da bioeconomia, a pesquisadores, estudantes e a comunidade direta e indiretamente envolvida nas ações do CBA. Não aconteceu.

As tentativas para dar vida ativa ao Centro de Biotecnologia da Amazônia foram muitas e somaram frustrações, prejuízos de várias ordens e atestam a cegueira, a ignorância ou a disposição em manter políticas de apartheid pelos sucessivos governos federais no trato das questões regionais/nacionais. A entrevista da semana de A CRÍTICA, publicada na página A2 de domingo reproduz os mesmos sinais dessa postura discriminatória. Quando o coordenador-geral do CBA, o químico Adrian Pohlit, afirma à jornalista Geizyara Brandão que a principal dificuldade é a falta de personalidade jurídica do CBA escancara um problema de 15 anos. Por que é tão difícil assegurar personalidade jurídica ao CBA? Não há vontade política para fazê-lo e, lamentavelmente, a bancada do Amazonas e a da Amazônia no Congresso Nacional não conseguiram fazer desse tema um movimento de ação firme até conseguir mudar o roteiro. Nem a bancada estadual nem os vereadores, os representantes das instituições de ensino e pesquisa da região conseguiram superar divergências para lutar pela ativação adequada do CBA.

Lutas solitárias foram travadas nos gabinetes de Brasília para convencer ministros e seus interlocutores. Enquanto punham dificuldades ou empurravam o tema para as gavetas aceleravam a tramitação de processos que garantiram personalidade jurídica a outras organizações instaladas, por exemplo, em São Paulo.

Fazer o CBA sair da UTI com vida, revigorado e preparado para cumprir papel estratégico na região permanece como luta que deveria re-unir os parlamentares do Amazonas, todos eles, e formar alianças com os dos demais Estados amazônicos, as instituições e os governos. Essa é uma briga grande e pesada porque mexe com o modelo de política de desenvolvimento do Governo Federal e, nele, a Amazônia permanece na condição de problema a ser resolvido. É daqui que a pressão deve sair e funcionar caso contrário daqui a 15 anos o mesmo enredo será repetido como tragédia.