Terça-feira, 13 de Abril de 2021
Editorial

Celebração da vida


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05/04/2021 às 07:28

A fé é uma das características mais marcantes do povo brasileiro. O sincretismo resultante da mistura de crenças cristãs, africanas e ameríndias torna a religiosidade brasileira uma das mais ricas e diversas do mundo. Infelizmente, pelo segundo ano seguido, temos uma pandemia em plena Páscoa - período de grande apelo religioso para todas as crenças cristãs. E neste ano há o agravante de que a segunda onda da pandemia de covid-19 tem sido muito mais agressiva que a primeira.

Nas últimas semanas, o País vive a pior fase da mais grave crise de saúde de sua história. Nesse momento agem duas forças contrárias: de um lado, os fiéis mais aguerridos e intransigentes querem estar nos templos implorando por cura. De outro, existe a necessidade inegável de distanciamento social, medida de eficácia comprovada contra a disseminação do novo coronavírus.

Só para lembrar, todas as nações que controlaram a pandemia utilizaram estratégias que combinaram distanciamento social e vacinação em massa. No Brasil, a vacinação segue a passos de tartaruga e medidas de distanciamento encontram obstáculos até mesmo no Supremo Tribunal Federal. A decisão do ministro do STF, Cássio Nunes Marques, que liberou cultos e celebrações religiosas na Páscoa, está mais relacionada a motivações políticas do que com preocupações com a liberdade de culto. No momento que o Brasil mantém média de dois mil mortos por dia, uma hipotética liderança nacional deveria determinar restrições em todos os estados que vivem situação crítica. Mas temos uma liderança nacional apenas fictícia.

Felizmente, o bom senso ainda existe em boa parte dos fiéis brasileiros. Em muitos templos, o que se vê são baixas ocupações, não em decorrência de medidas de distanciamento, mas pela baixa procura por parte das pessoas, que demonstram maior senso de responsabilidade que muitos togados e magistrados.

É perfeitamente possível, e altamente recomendável, celebrar a Páscoa com segurança, para si e para os outros, em casa, sobretudo nos Estados que sofrem com lotação nas UTIs. Adorar, louvar e celebrar em casa não reduz em nada a fé de ninguém. Por outro lado, mostra bom senso, respeito e empatia pela vida, exatamente o principal elemento da Páscoa.


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