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Editorial

Centro Histórico transfigurado

07/05/2018 às 21:50 - Atualizado em 07/05/2018 às 23:00
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O centro histórico de Manaus vive intenso processo de transfiguração que implica em prejuízos múltiplos. Vítimas de assaltos seguidos, comerciantes anunciam o fechamento de seus estabelecimentos. A clientela, assustada com os atos de violência, procurou outros espaços, os negócios estagnam e funcionários são demitidos. É o ciclo das consequências da violência e da ausência do Estado para garantir alguma base de segurança e de proteção aos que trabalham e circulam na região.

Matéria de A CRÍTICA nesta edição apresenta os relatos de pequenos e médios empresários que há décadas estão nessa área e hoje se veem impedidos de exercer suas atividades em função dos muitos casos de assaltos e do deslocamento dos consumidores para outros espaços. A Praça Adalberto Vale, um dos locais tradicionais da cidade, é exemplo do abandono e da agonia a que está submetido o empresariado local. Área bastante acessada por turistas, a praça deveria ter sido reformada, mas o projeto de requalificação do lugar de 2015 até hoje não seguiu em frente.

A desconfiguração e abandono das áreas centrais das cidades é uma das marcas no Brasil.São poucas as capitais cujos centros foram cuidados para ser parte de atração turística e de convivência dos habitantes do lugar, o que costuma produzir bons negócios, incrementar renda e postos de trabalho. Em outros países, os centros das cidades vêm sendo trabalhados como espaço multicultural, envolvem parcerias e inúmeras redes que, juntas, proporcionam bons índices de revitalização. O efeito tem sido positivo tanto no que diz respeito a sensação de segurança, aos negócios, postos de trabalho e geração de remuneração tendo como base os mais diversos elementos históricos desses lugares. Há agradáveis descobertas tantos dos que irão conhecer quanto dos que conhecem e passam a perceber os efeitos bons nesse cuidado com a região.

Em Manaus, o longo período de descaso e a conduta de abandono transformaram espaços tradicionais, com forte presença na memória da população em referência negativa. O centro histórico, como relatam pequenos empresários, é um desses lugares que tende a ser esvaziado para ser transformado noutra coisa onde não há lugar aos negócios legais, emprego, contação de história e atrativo turístico. Nesse caminho, o custo de recuperação será cada vez mais alto e estará muito distante.