Sexta-feira, 23 de Agosto de 2019
Editorial

Cheiro de 'pizza' cada vez mais forte


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06/08/2019 às 07:54

Os membros da CPI dos combustíveis da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM) terão que correr muito para fazer em 15 dias o que não conseguiram realizar em 180. Vale lembrar: o grupo realizou apenas uma audiência pública, à qual não compareceram os empresários donos de postos e distribuidoras, figuras chave para o esclarecimento a respeito do suposto cartel que atuaria no Amazonas.

Diante da falta de consenso entre os próprios membros da CPI, os trabalhos, que deveriam ter sido encerrados ontem, foram prorrogados por mais duas semanas. Entre os deputados, uma certeza, se a CPI tivesse parado ontem, a “pizza” seria certa, uma vez que as informações obtidas até então são inconclusivas na opinião de muitos parlamentares. A despeito disso, existe um relatório pronto para ser apresentado no plenário. Com o adiamento, os membros da CPI ganham tempo para fortalecer o documento, quem sabe, finalmente ouvir os empresários, apresentar conclusões concretas e, principalmente, apontar providências efetivas em benefício da sociedade.

Mas, para isso, é preciso corrigir de imediato aquela que, provavelmente, é a maior dificuldade da CPI: o descompasso e a falta de entendimento entre os membros do grupo. Na reta final dos trabalhos, os parlamentares vêm travando embates improdutivos entre si. É incompreensível que o autor da proposta, o deputado Álvaro Campelo, não tenha participado de nenhuma reunião da comissão. Da mesma forma, não é razoável que ele sequer tenha sido convidado para os encontros. A impressão que fica é que os trabalhos foram desenvolvidos sem comprometimento e até com boa dose de amadorismo.

Enquanto isso, fora da bolha do Legislativo Estadual, os postos seguem reajustando os preços nas bombas simultaneamente, com  uma sincronia impressionante. Sem alternativas, os condutores nada podem fazer senão aceitar o comportamento dos preços, que claramente não reflete uma realidade de mercado competitivo. Se há um cartel dos combustíveis atuando em Manaus, os empresários que nele atuam devem estar rindo com o andamento de mais essa CPI sobre o setor. Ainda há tempo – pouco, é verdade - para imprimir alguma celeridade à comissão e oferecer uma resposta minimamente razoável à sociedade.


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